Estudante escapa por pouco de agressão em Curitiba e fala em preconceito por cabelo raspado


Por Marina Sequinel

(Foto: Reprodução/Facebook)

Uma universitária de 22 anos fez um desabafo no Facebook depois de quase ter sido agredida por um homem desconhecido no bairro Pilarzinho, em Curitiba, nesta terça-feira (25). Ela voltava de bicicleta para casa na Rua Nilo Peçanha quando um rapaz passou de carro e começou a xingá-la.

“Eu tenho o cabelo raspado e, ao se aproximar, esse cara me chamou de ‘piazão’, falou várias coisas terríveis, e avançou o carro na minha frente. Como fiquei muito nervosa, acabei mostrando o dedo do meio. Nisso, ele estacionou o veículo de qualquer jeito e veio para cima de mim”, contou a jovem, que preferiu não se identificar, em entrevista à Banda B.

Segundo ela, o homem, que aparentava ter 20 anos e estava bem vestido, disse que ‘bateria nela para ensinar uma lição’. “Ele falou que me daria uma surra para ver se ‘eu virava gente’, para ‘me consertar’. Eu não acreditei na hora, tudo isso por causa do meu cabelo, eu não sei se ele achou que eu era lésbica”, completou.

Com medo, ela decidiu fugir, enquanto o agressor gritava “está com medo de apanhar?”. “Ele parecia louco da cabeça. Depois, quando tudo passou, eu fui até alguns comércios ali perto e conversei com as pessoas que viram tudo. No começo, elas acharam até que nós éramos um casal de namorados brigando. Quando eu expliquei o que aconteceu, elas ficaram assustadas. Comentaram que o homem estava tão fora de si que atiraria em mim se tivesse uma arma”.

Devido ao nervosismo, a estudante não conseguiu anotar a placa do veículo. “Eu só sei que ele estava em um carro prata, parecia ser um modelo novo. Era um homem loiro, que aparentava ser bem de vida. Agora eu estou com medo que ele volte, não posso nem mais andar tranquilamente na rua”, finalizou.

Em seu relato no Facebook, a universitária desejou força para todas as pessoas que sofrem com o preconceito diariamente. “Só desejo força para nós mulheres, para as pessoas negras, para os gays as lésbicas e as trans, que temos que lutar pela nossa vida e pedir pra não cruzarmos nas ruas essas pessoas dominadas pela intolerância”, escreveu.

A jovem pretende registrar um Boletim de Ocorrência (B.O.) sobre o caso e vai pedir as imagens das câmeras de segurança de um condomínio próximo do local, para identificar o agressor.

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