Um grupo de 11 estrangeiros, entre argentinos e paraguaios, mantidos sob servidão por dívida, foram resgatados em situação de trabalho escravo em uma fazenda de hortaliças, em Céu Azul, no Oeste do Paraná, após uma operação conjunta entre a Polícia Federal (PF), o Ministério do Trabalho (MTE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT-PR), na quarta-feira (13).

O grupo era composto por três famílias, incluindo cinco crianças. As investigações apontaram que as vítimas eram submetidas ao sistema de servidão por dívida.
Após prometer emprego garantido, os responsáveis informavam, já na chegada ao local, que os trabalhadores tinham débitos em aberto referentes ao custo da viagem e do transporte. As informações são do portal TN Online, parceiro da Banda B.
Grupo em situação análoga à escravidão era vigiado 24 horas por dia e não podia deixar propriedade
Além disso, para manter o controle e intimidar o grupo, os responsáveis pela fazenda compravam remédios e alimentos, revendiam aos estrangeiros por valores superfaturados e descontavam esses custos de salários que nunca pagavam integralmente.
Em depoimento à Polícia Federal, o grupo relatou que vivia uma rotina de jornadas exaustivas, sem direito a folgas e sob condições climáticas adversas, sem qualquer suporte.
Além da distância, já que a fazenda fica localizada em uma área mais afastada do fluxo urbano, os trabalhadores também tinham a liberdade comprometida por um sistema de câmeras de segurança instalado na propriedade, que monitorava o grupo a todo o tempo. Alguns, inclusive, estavam proibidos de sair da fazenda havia pelo menos oito meses.
Uma das vítimas afirmou que os responsáveis a obrigavam a trabalhar até as 21h para garantir a alimentação básica da família e a ameaçavam constantemente com a privação de comida caso interrompesse as atividades.
Caso veio à tona após quase 1 ano
Somente as crianças poderiam deixar a propriedade diariamente para frequentar a escola, momento em que o caso veio a público e as autoridades tomaram conhecimento de possíveis violações de direitos humanos, após uma denúncia feita em uma rede municipal de proteção.
No local, os agentes encontraram as famílias alojadas em estruturas de madeira precárias e sem qualquer tipo de higiene básica.
Depois do resgate, o grupo recebeu acolhimento e assistência das autoridades consulares da Argentina e do Paraguai. Os proprietários da área foram presos em flagrante e responderão pelo crime de redução à condição análoga à escravidão.
O caso também segue sob investigação para identificar a extensão das irregularidades trabalhistas e garantir o pagamento das indenizações devidas às vítimas.
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