A defesa de dois suspeitos de participarem do crime brutal contra o jogador Daniel Correa Freitas, 24 anos, afirmou que eles estão assustados e não se alimentam desde a manhã do assassinato. Roberto Domacoski esteve na Delegacia de São José dos Pinhais, na manhã desta segunda-feira (5) para alinhar com a Polícia Civil de que forma acontecerão os depoimentos dos suspeitos. O terceiro é da cidade de Foz do Iguaçu, está sendo representado por outro advogado, mas também já sinalizou que deve se apresentar à polícia. Os depoimentos dos presos – Edison Brittes Júnior, 38, que confessou o crime, Allana Brittes, 18 anos, filha do autor e Cristiana Brittes, 35, mãe e esposa – estão marcados para começar às 14 horas.

Família Brittes, presa acusada da morte de Daniel. Foto: Reprodução Instagram

O advogado de dois suspeitos alegou não saber quando seus clientes serão ouvidos, mas que dependerá da sinalização do delegado Amadeu Trevisan, que coordena as investigações. “Por determinação do delegado, não é momento deles prestarem os esclarecimentos. Ainda não sabemos quando isso vai acontecer, porque dependerá do delegado. Eles estão apavorados porque nunca passaram por isso. São meninos novos, estão sem comer desde a data, ainda em choque”, disse o advogado à Banda B. “Não houve participação deles no crime. Nossa intenção é que eles colaborem com o que aconteceu e ajudem a elucidar, trazendo a verdade”, completou.

Presos

Os depoimentos do dia começarão às 14 horas com os três envolvidos presos. Já estão na delegacia, os advogados da família Brittes Cláudio Dalledone e Renan Canto. Não há ordem concreta de início dos depoimentos, mas fontes da Banda B informaram que Juninho Riqueza, como é conhecido entre amigos, deverá ser ouvido por último, por estratégia.

“Situação muito triste para todos, tragédia com a prisão de três pessoas e de uma vida abreviada desse moço, muito embora tenha traçado as coordenadas da própria vitimização. Ainda ninguém foi ouvido, estamos aguardando. Os rapazes que estavam no carro estão se colocando à disposição para prestar os seus depoimentos. Por questão de tempo, acredito que não dê tempo, porque a autoridade quer ouvir os três presos, no período da tarde”, disse Dalledone à Banda B.

O advogado de defesa voltou a criminalizar a atitude do jogador. “Se teve, se estava em cima ou não estava em cima, eles (testemunhas) é que vão dizer. A versão deles é clara nesse sentido e não podemos perder de vista uma situação – houve uma alteração na legislação. Mesmo que não tivesse ocorrido essa tentativa de estupro, que eles afirmam em alto e som que houve, lembrem que a importunação sexual foi criminalizada e colocar, enviar, remeter, divulgar, compartilhar fotos com cunho sexual é crime apenado com cinco anos de reclusão”, finalizou.

Daniel jogou pelo Coritiba, no ano passado. Foto: Reprodução

Família

Já a família, por meio do advogado Nilton Ribeiro, nega que tenha ocorrido qualquer tentativa de estupro. “Quero ouvir na delegacia o que a família acusada vai falar, mas posso assegurar que essa noite vamos nos manifestar sobre essas conversas, que existem, sim. Quero saber se haverá honestidade e eles vão contar o que realmente acontecer. A família está sofrendo muito, estupro não aconteceu, tentativa de estupro não aconteceu. Ela mesma diz que não houve, eles falam em suposta tentativa. O que sabemos e vamos trazer, em primeira mão, é que não houve nada disso. Aquela foto foi uma brincadeira infeliz”, garantiu à Banda B.

O advogado também garantiu que Edison Brittes fez uma ligação à mãe de Daniel, lamentando a situação e desejando-lhe pêsames pela perda do filho. “Pra ela e para outras pessoas. Vamos provar”, finalizou.