A versão apresentada pela esposa de Antonio Carlos Mazeppa, policial morto a tiros por Rogério Knaipp, colega de farda com quem mantinha amizade há mais de 20 anos, difere do que foi informado à Polícia Militar do Paraná (PMPR). O caso foi registrado em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba (RMC). O relato foi dado durante o sepultamento do agente, realizado nesta quinta-feira (16).

Durante o sepultamento, a esposa da vítima apresentou um relato diferente do que foi informado inicialmente. Em entrevista exclusiva à Banda B, ela afirmou que não houve discussão motivada por conversa entre as mulheres e que os disparos começaram do lado de fora da casa, no momento em que tentou chamar o marido para entrar.
“Eu ouvi a discussão. Meu marido tava na frente do portão de casa e ele já tava pro lado de fora. E eu fui chamar meu marido pra entrar pra dentro, quando logo eu já levei o tiro na perna e ele já acertou meu marido, o Mazeppa”, iniciou.
Segundo a esposa, ela havia conhecido a outra mulher no mesmo dia e que não houve desentendimento entre elas.
“Conversamos poucos minutos. A única coisa que eu perguntei pra ela foi o que ela queria que eu levasse pro almoço, que eles estavam nos convidando para almoçar na casa deles no domingo. E ele quis ir embora, o namorado dela, e eu pedi pro meu marido acompanhar quando já aconteceu tudo. Foi isso. Não teve agressão, não teve nada da parte do meu marido comigo”, complementou.
Além disso, a mulher afirmou que se soubesse que a situação fosse acontecer, não teria deixado o Rogério Knaipp entrar na residência.
“Uma pessoa que jamais deveria ter entrado na nossa casa. Ele foi lá só pra destruir toda a família”, afirmou.
Policial morto a tiros por colega de farda causa comoção
O sepultamento do policial militar aconteceu no Cemitério Caminho do Céu, em São José dos Pinhais. Familiares e amigos acompanharam a despedida.
Ainda durante a entrevista, emocionada, a esposa de Antonio Carlos Mazeppa disse que será muito difícil viver sem o marido após o ocorrido.
“Sei que fica um pedaço de mim, da minha família ali. Vai ser muito difícil, um dia de cada vez sem ele, mas eu sei que vai estar comigo para me ajudar a superar isso. E ficou um ‘até breve’, porque logo a gente vai estar junto”, lamentou a mulher.

Relembre o caso: como tudo começou?
De acordo com informações repassadas à Polícia Militar do Paraná (PMPR), os dois policiais passaram a noite juntos em um bar e, depois, seguiram para a casa da vítima, localizada em São José dos Pinhais, onde continuaram a confraternização.
As esposas dos militares estavam em um quarto da casa conversando, quando uma delas relatou problemas no relacionamento. O policial que morreu teria ouvido a conversa, entrou no cômodo armado e questionou o que estava sendo dito.
A situação teria evoluído para uma discussão em tom elevado. Em seguida, os dois foram para a área externa da casa, onde sacaram as armas e começaram a atirar um contra o outro.
Segundo o perito Elmir Machado de Oliveira, do Instituto de Criminalística, os disparos aconteceram após o desentendimento entre os dois, que eram amigos de longa data.
“Dois amigos e são policiais militares e, segundo informações, são amigos há mais de 20 anos. Após passarem alguns momentos num espetinho, como fazendo uma confraternização, eles vieram para a casa. Após terem uma discussão, foram para a rua e aí um disparou contra o outro”, disse o perito.
Momentos antes da discussão, os dois policiais chegaram a tirar uma foto juntos, enquanto bebiam cerveja durante a confraternização.
Como as vítimas foram encontradas?
O cabo Antonio Carlos Mazeppa foi encontrado caído em frente à casa, com ferimentos na cabeça. Ele morreu no local antes da chegada do socorro.
Um vizinho relatou ter visto Rogério Knaipp ajoelhado, com a arma apontada na direção da vítima logo após os disparos.
Qual é o estado de saúde do PM ferido?
O policial que atirou também foi atingido durante a troca de tiros. Ele foi socorrido com quadro de pneumotórax e encaminhado ao Hospital Universitário Cajuru. Conforme informações apuradas pela Banda B, ele está internado e passou por três cirurgias. A equipe médica aguarda o agente se recuperar para realizar uma outra intervenção cirúrgica. O homem foi baleado no braço e atingido com três tiros no abdómen.
A esposa do policial ferido também foi atingida por um disparo. Ela recebeu atendimento médico e não corre risco de morte.
Armas foram apreendidas após policial ser morto a tiros
No local do crime, foram encontradas duas pistolas calibre 9 milímetros, uma pertencente a cada policial. As armas foram recolhidas e encaminhadas para a delegacia.
A perícia também identificou disparos que atingiram uma casa vizinha e um carro estacionado em frente ao imóvel.
A PM vai apurar as condutas dos policiais?
A Polícia Militar informou, em nota, que os dois policiais estavam em uma residência quando se desentenderam e fizeram uso de arma de fogo. A corporação disse que será instaurado procedimento administrativo para apurar o caso. Veja a nota na íntegra abaixo:
“A Polícia Militar do Paraná (PMPR) informa que, na madrugada deste domingo (12), foi registrada uma ocorrência de disparo de arma de fogo no bairro Afonso Pena, em São José dos Pinhais. A situação envolveu dois policiais militares da ativa que se encontravam em uma residência e, por circunstâncias ainda a serem esclarecidas, desentenderam-se e fizeram o uso de arma de fogo.
O SIATE foi acionado para prestar socorro às vítimas, porém foi constatado, ainda no local, o óbito de um dos militares. O outro policial foi encaminhado ao Hospital Cajuru para atendimento médico. Também foram acionadas a Polícia Científica e a Polícia Civil, que realizaram os procedimentos legais cabíveis.
A PMPR lamenta profundamente o ocorrido e manifesta solidariedade aos familiares. Informa, por fim, que as circunstâncias do fato ainda estão sendo apuradas pelos órgãos competentes, e que será instaurado procedimento administrativo para o devido esclarecimento da ocorrência“.
Como estão as investigações?
A Polícia Civil instaurou inquérito para apurar as circunstâncias do caso. Até o momento, não há informações atualizadas sobre o andamento da investigação.
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