Os seis presos por suspeita de praticar crime ambiental, em bairros de Curitiba e Pinhais, na manhã desta terça-feira (11), são empresários e diretores de três empresas de publicidade. Eles seriam responsáveis por cortes de árvores da capital de forma ilegal, para que não atrapalhassem a visualização de painéis de publicidade. Por se tratar de crime ambiental, as três empresas também são investigadas.

Presos por suspeita de corte ilegal de ipês-amarelos são empresários, diretores de empresas e 'lenhador'
As empresas pagavam para que fossem cortadas árvores como da espécie ipê-amarelo.
Foto: Arquivo/Daniel Castellano/SMCS.

O ‘lenhador’, que seria um dos homens contratados para executar os cortes de algumas das árvores, também foi preso nesta terça-feira e indiciado.

Ipês-amarelos podados

As equipes da Polícia Civil do Paraná (PCPR) cumpriram um total de 15 mandados de prisão e busca e apreensão (este nas empresas) em endereços nos bairros Capão Raso, Batel, Tingui, Uberaba, Barreirinha e Centro, em Curitiba; e no Centro e no Alphaville, em Pinhais. Os presos e os materiais apreendidos foram levados para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DPMA).

Alguns ipês-amarelos, uma das espécies de árvores mais famosas da cidade, que ficam no bairro Juvevê, deram início às investigações, mas diversas outras espécies foram cortadas sem licença do órgão ambiental competente, que, neste caso, é a prefeitura de Curitiba, explica o delegado Guilherme Dias, do DPMA.

“Nós tomamos conhecimento que algumas árvores foram cortadas aqui em Curitiba, que ficam na calçada, e começamos a apurar a finalidade, o motivo de serem cortadas e a madeira ser descartada no local. Conseguimos identificar o executor desse crime e verificamos que, além desse, havia diversos outros crimes cometidos por essa mesma pessoa”,

afirma.
Os mandados foram cumpridos em Curitiba e Pinhais.
Foto: Reprodução/PCPR.

De R$ 100 a R$ 600

O delegado conta que descobriu que o suspeito foi contratado por três empresas de publicidade com sedes fora de Curitiba, para realizar os cortes, sem nenhum tipo de licenciamento ambiental. Foram 45 cortes nestas circunstâncias, conforme Dias. “Consultamos órgãos ambientais e, em nenhum dos casos, havia licença. Se for uma poda, mais simples, não há necessidade.”

Segundo Dias, o grupo atua há pelo menos três anos e de forma constante, conforme apurado nas investigações. Eles teriam cometido mais de 100 cortes de árvores, sempre à noite, aos finais de semana e em horários com menor movimento. As empresas pagavam de R$ 100 a R$ 600 cada corte, de acordo com o tipo solicitado.

“Todos os dias, essas empresas enviavam aos executores a lista de locais onde deveriam cortar árvores. Eram seis a oito locais por dia. Os pagamentos eram realizados por meio de contas físicas dos gestores, para desvincular os nomes das empresas”,

revela o delegado.

Os investigados devem responder por associação criminosa.

Orientação

O delegado Dias orienta que, antes de realizar o corte de uma árvore, sobretudo que esteja em via pública, é preciso autorização legal, do órgão ambiental competente, como a Prefeitura Municipal de Curitiba, no caso da capital.

Outro lado

Após a publicação da reportagem, o Sindicato das Empresas de Publicidade Externa do Estado do Paraná se posicionou por nota. Confira na íntegra:

Diante das notícias veiculadas a respeito da operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) neste dia 11 de julho, que relatam a prisão de suspeitos envolvidos no corte ilegal de árvores na região de Curitiba-PR sob suposto interesse de empresas de publicidade exterior a fim de favorecer a visualização de painéis, viemos informar que, na figura de representantes do setor no Estado, estamos acompanhando os desdobramentos da referida investigação dentro de nossas atribuições legais para colaborar com as autoridades e elucidar o caso e punir os responsáveis pela ação indevida.

Representamos dezenas de empresas, apoiamos iniciativas do setor e contribuímos de maneira inequívoca ao progresso econômico e social de empresas e atividades dos mais diversos segmentos a partir das campanhas de mídia produzidas por nossos associados. Estamos atentos e antenados à projetos pró-ambientais de nossos parceiros, incentivando atividades que tenham um impacto positivo de sustentabilidade.

Temos nos posicionado historicamente contra ações indevidas de empresas de mídia que atuam no setor, inclusive com denúncias a órgãos responsáveis sobre irregularidades e/ou outras condutas antiéticas. Sempre de forma enfática, cobrando o devido cumprimento da legislação em vigor, inclusive neste caso.

Reiteramos novamente nosso compromisso com a promoção de boas práticas ambientais a partir de nossos associados, enquanto acompanhamos o caso em questão com o máximo interesse.

Estamos à disposição das autoridades para ajudar da forma que for necessária.