Pelo menos 15 agentes penitenciários foram afastados, no último final de semana, da Penitenciária Estadual de Piraquara I (PEP 1 ) por testarem positivo para Covid- 19. A informação é do Sindicato dos Policiais Penais do Paraná. Todos fazem parte da Equipe Alfa.

À frente, o presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Paraná, Ricardo Miranda – Reprodução

Na manhã desta terça-feira (14), representantes do sindicato foram para a frente da PEP 1 pedir providências e denunciar que, de uma equipe onde 27 deveriam estar trabalhando, apenas 11 têm condições, até o momento, de comparecer ao local de trabalho.

“Estamos aqui para denunciar que nesta equipe era para assumir 27 pessoas e só temos 11. A grande maioria está afastada por suspeita ou confirmação de Covid. Temos uma política suicida do Governo do Estado que não afasta os servidores anteriormente. Se já tivesse afastado no início da pandemia teria evitado esta contaminação em massa”, afirmou o presidente do Sindicato dos Policiais Penais do Paraná, Ricardo Miranda (Assista ao vídeo abaixo).

De acordo o presidente, a categoria faz um apelo ao governo do estado para que se contratem emergencialmente novos servidores, testagem em massa, além de medidas urgentes para conter a disseminação da doença nos presídios.

“Agentes estão indo para suas casas e transmitindo isso para suas famílias. temos casos de pessoas que perderam gente na família. Precisamos que o governo adote medidas mais rígidas, do contrário, teremos uma tragédia humanitária aqui e a culpa vai ser do governo do Paraná”, completou.

A PEP 1 tem abriga hoje cerca de 743 presos.

Outro lado

Na noite desta terça-feira, o Departamento Penitenciário do Paraná (Depen) enviou a seguinte nota:

“Para maior proteção de servidores e presos do Departamento Penitenciário do Paraná, uma série de medidas tem sido tomadas dentro das unidades prisionais, entre elas: restrição de visitas, limpeza contínua de ambientes, higienização de viaturas e veículos de remoção. Os detentos também trabalham na produção de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), como máscaras e aventais, além de álcool em gel e produtos de limpeza.

Além disso, desinfecção de ambientes compartilhados (como corredores, refeitórios, pátios e canteiros de trabalho dos detentos) está ocorrendo com maior periodicidade. A limpeza é feita diariamente com aspersão de água sanitária.

Ao mesmo tempo, foi intensificada a distribuição de produtos de higiene e materiais de proteção individual, assim como a disponibilização de cartazes de orientação sobre o combate ao coronavírus nas unidades prisionais. Presos e servidores têm de duas a quatro máscaras à disposição, além de álcool em gel e sabão para higienização das mãos, entre outras medidas já amplamente divulgadas. Os agentes também que têm contato direto com detentos com suspeita ou confirmação da doença contam ainda com equipamentos como óculos e capa.

Todo preso que entra no sistema prisional ou que é movimentado de unidade, passa por avaliação de saúde, que inclui medição de temperatura e resposta a um questionário de doenças pré-existentes e demais comorbidades. Em seguida, o detento vai para o banho e troca de roupa, com lavagem dos tecidos em separado, e segue para cela de isolamento por 14 dias. Se não apresentar sintomas, o preso permanece na unidade. Caso algum sintoma apareça, ele é transferido imediatamente para unidades de isolamento.

A entrega de sacolas de alimentação também foi suspensa, com o objetivo de evitar a aglomeração de pessoas em frente aos estabelecimentos penais. Apenas a entrega via SEDEX foi mantida. Para isso, os materiais enviados passam por uma desinfecção e ficam armazenados durante sete dias, antes de serem distribuídos, para evitar contaminação.

O Departamento Penitenciário do Paraná esclarece que segue os protocolos de testagem estipulados pela Secretaria Estadual da Saúde. O Depen ainda informa que testes rápidos para Covid-19 foram distribuídos em todas as regionais do Depen. Entre presos e servidores do sistema prisional do Paraná, já foram feitos quase 2 mil testes, entre rápidos e moleculares.

O Depen ainda ressalta que, apesar de ter a quinta maior população carcerária do país, é um dos estados com menor número de casos confirmados. Em todo o Paraná, até esta segunda-feira (14/07), 277 presos testaram positivo para a doença, sendo que 155 já estão recuperados.

Dos 277 casos confirmados de presos, 245 deles estavam em duas cadeias públicas: Toledo (142 casos) e Marechal Candido Rondon (103 casos). Nas penitenciárias do estado, até o momento, foram registrados apenas 32 casos. Entre os servidores, foram 65 confirmações e, destes, 22 estão recuperados.

Quanto à possibilidade de aluguel de hotel, a SESP informa que não existe este serviço para nenhum integrante da Segurança Pública, de nenhuma das instituições vinculadas. As notícias que divulgaram o oferecimento de alguns quartos de hotéis para setores de saúde no início da pandemia deixavam claro que a ação era da iniciativa privada”, diz o Depen.

Assista ao vídeo com a declaração do Sindicato: