Em entrevista exclusiva ao programa Conexão Repórter, do jornalista Roberto Cabrini, Allana Brittes, de 18 anos, saiu em defesa do pai, Edison Brittes, e da mãe, Cristiana Brittes, dois dos acusados pela morte do jogador Daniel Correia de Freitas, de 24 anos, em outubro do ano passado. Ainda, a jovem de 18 anos falou sobre os julgamentos que afirma ter sofrido e do sonho de se tornar advogada criminal. “Vou atrás do meu sonho de ser independente e fazer uma faculdade. Quero fazer Direito e ser advogada criminal. Porque senti na pele estar presa sem ter feito nada”, afirmou durante o programa, que foi ao ar nesta segunda-feira.

Allana em entrevista ao Conexão Repórter (Foto: Reprodução)

 

Durante a entrevista, Allana saiu em defesa do pai e ainda explicou pontos polêmicos da morte do jogador, como possíveis mentiras durante os dias que antecederam as revelações do caso. A jovem, que responde por coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor, recebeu a liberdade na semana passada. Na conversa com Cabrini, ela criticou a prisão da mãe, Cristiana Brittes, que responde por homicídio, e falou sobre a tristeza de deixa-lá na cadeia. “Minha mãe tentou evitar e ainda foi vítima do Daniel, que foi quem procurou isso. O pior momento foi me despedir dela (Cristiana)”, descreveu.

Apaixonada

Na entrevista, Allana garantiu que a mãe, Cristiana, sempre foi apaixonada por Edison Brittes. “Minha mãe sempre foi apaixonada pelo meu pai. Nunca deu liberdade para o Daniel. Ela (Cristiana) é a maior vítima. Estava dormindo e não fez nada. Fez o possível para não agredirem ele”, disse a jovem, que confessou que a mãe tinha ciúmes do pai. “Ela sentia ciúmes e sempre queria saber onde ele estava, o que é normal”, explicou.

Daniel

O casal Brittes e Daniel, morto após a festa de aniversário de Allana

 

Allana revelou ainda que conheceu Daniel por redes sociais e o viu pessoalmente quatro vezes. “Todas as vezes que eu o vi, sempre foram em ocasiões com mais pessoas. Nunca ‘ficamos’. Ele queria no começo, mas entendeu e até ‘ficou’ com algumas amigas minha. Na primeira fez que o vi, fui com uma amiga no apartamento dele, onde conversamos e fumamos narguilé”, contou.
A jovem ainda afirmou que não via o jogador há um ano. “Depois da minha festa, em 2017, não tinha visto mais ele. Só fui vê-lo no meu aniversário”, disse, sendo questionada por Cabrini pelo motivo então dele ter sido convidado, já que a festa era um evento restrito. “Ele era uma pessoa normal e de meu convívio, que tinha um amigo comum que morava em Curitiba”, ponderou.

Questionada sobre quem matou Daniel, Allana confirmou que foi o pai, mas que o jogador procurou isso. “Daniel procurou isso. E se fosse a sua mulher? O que você faria? Alguém se colocou no lugar do meu pai? Ninguém poderia salvar o Daniel. Meu pai foi tomado pela emoção e ódio. Não consigo imaginar o que ele sentiu quando viu a imagem de um cara tentando abusar da esposa”, opinou.

Allana ainda disse que não falou sobre o crime com o pai e nem mesmo do fato dele ter cortado o pênis do jogador. “Nunca tive essa conversa com ele e não quero falar sobre isso. Eu sempre o vi como meu pai, que fez tudo para mim (sic) durante 18 anos. Eu vou estar sempre do lado dele”, garantiu a jovem.

Mentiras

Sobre mentiras durante o processo, especialmente no contato com a família do jogador, Allana disse que fez isso para proteger o pai. “Precisava proteger meus pais e não conseguia interpretar ainda o que tinha acontecido”,afirmou, ressaltando que limpou a casa após o homicídio porque o pai, Edison, afirmou que a família precisava continuar vivendo. “Limpei por ser minha casa. Meu pai pediu, porque a gente precisava continuar vivendo”, disse, explicando em seguida o motivo de dar risadas no encontro no Shopping São José, dois dias após o crime, com os jovens que estavam no ‘after’ em que o jogador foi morto. “Eu sou um ser humano. Eu rio e choro, normal”, falou.

Julgamentos e futuro

No trecho final da entrevista, Allana Brittes lamentou que está sendo julgada e taxada como uma vagabunda. “Falam que eu sou vagabunda, vivia em festas e não tinha família. Sempre foi totalmente ao contrário, sempre fui muito família. Eu saía sim, ia em festas, mas sempre tive meus pais próximos”, salientou.

Allana ainda falou sobre os sonhos para o futuro. “Eu tenho sonhos. Sempre tive e vou continuar tendo. Espero realizar todos. Quero ser advogada criminal, porque senti o que é estar presa sem ter feito nada”, finalizou.

Os acusados no caso Daniel:

Edison Brittes: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor e coação no curso do processo;

Cristiana Brittes: homicídio qualificado por motivo torpe, coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor;

Allana Brittes: coação do curso de processo, fraude processual e corrupção de menor;

David Willian da Silva: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual, corrupção de menor e denunciação caluniosa;

Eduardo da Silva: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

Ygor King: homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menor;

Evellyn Brisola Perusso (responde em liberdade): denunciação caluniosa, fraude processual, corrupção de menor e falso testemunho.