Daniel morreu aos 24 anos (Foto: Divulgação São Paulo)

 

Após ouvir quatro testemunhas que estavam na casa no momento do crime, a Delegacia de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, não acredita que Cristiana Brittes, de 35 anos, tenha sido vítima de uma tentativa de estupro pelo jogador Daniel Correa Freitas, de 24. De acordo com o delegado Amadeu Trevisan, que concedeu entrevista coletiva no final da tarde desta terça-feira (6), os depoimentos seguem uma mesma linha e todas as testemunhas negam ter ouvido Cristiana pedindo ajuda durante o suposto abuso sexual.

“As testemunhas estão esclarecendo o que aconteceu de fato, contrariando a versão apontada até aqui pelo acusado [Edison Brittes Júnior, de 38 anos]. A versão de tentativa de estupro está sendo desconfigurada, assim como o arrombamento no quarto”, disse Trevisan.

Segundo o delegado, a única pessoa que confirmou a tentativa de estupro até aqui foi Cristiana. “Nós não temos nenhuma testemunha que confirme os gritos e ainda temos o laudo, que mostra que o Daniel estava completamente embriagado. Há uma fragilização no depoimento dela. Dificilmente ele conseguiria estuprá-la, então acredito que ele apenas estava tirando fotos para um grupo de amigos do WhatsApp e o Edison saiu de si ao ver o Daniel na cama. Foi um assassinato brutal, cruel e desproporcional para a situação”, afirmou.

Cristiana prestou depoimento à polícia nesta segunda-feira (5). De acordo com o advogado Claudio Dalledone, Cristiana está “aterrorizada” com toda a situação. A defesa garante que ela foi vítima de tentativa de estupro, precedido de uma importunação sexual e imagens compartilhadas sem autorização.

O exame de dosagem alcoólica realizado no corpo de Daniel, encontrado poucas horas após o crime, diz que o jogador estava com 13,4 dg/L de álcool no sangue, um nível bastante elevado. A polícia acredita que o crime tenha acontecido após Edison comprar uma garrafa de vodca e retornar para casa.

Participação no crime

Segundo Trevisan, as investigações apontam que pelo menos três homens, além de Edison, participaram do espancamento, mas o envolvimento de cada um ainda está sendo apurado. David Willian Villero Silva, de 18 anos, Igor King, de 20, e Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, de 19, são os investigados. As defesas de David e Igor admitem o espancamento, mas negam participação direta no assassinato.

Os três, assim como Edison, Cristiana e a filha Allana Brittes devem ser indiciados por homicídio qualificado. A Polícia Civil não descarta pedir a conversão da prisão temporária da família Brittes em preventiva.

Cristiana e Allana devem ser transferidas para a Penitenciária Feminina, já que seus depoimentos foram oficialmente colhidos pela investigação. O inquérito deve ser concluído até o fim de novembro, sendo prorrogável a pedido do delegado, e, então, encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MPPR), que ficará responsável por oferecer a denúncia.