Por se tratar, a princípio, de uma testemunha, ela não terá o nome revelado. (Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

 

A jovem de 19 anos que ‘ficou’ com o jogador Daniel Corrêa Freitas horas antes de ele ser morto afirmou que foi obrigada a limpar o sangue na residência onde a vítima foi agredida. Ela deu os detalhes de tudo o que viu no dia do crime, em 27 de outubro, em depoimento à Polícia Civil de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, nesta segunda-feira (13).

Até o momento, seis pessoas estão presas pelo homicídio: Edison Brittes Junior, o ‘Juninho Riqueza’; a esposa dele, Cristiana; a filha do casal, Allana; e os três jovens que estariam no carro que levou Daniel até a Colônia Mergulhão, onde foi assassinado: Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, de 19 anos, David Willian Villero Silva, de 18, e Ygor King, de 20.

Depoimento

Na delegacia, a jovem que prestou depoimento ontem disse que é amiga de Allana há cerca de um ano e dois meses. Segundo ela, a única vez que elas saíram juntas, com os pais Edison e Cristiana, foi no aniversário de 18 anos da Allana, que aconteceu em uma balada no bairro Batel, em Curitiba.

A jovem ainda contou que conheceu Daniel durante a festa e o beijou enquanto eles estavam no camarote da casa noturna. Por volta das 6h, Cristiana e Edison convidaram parte dos convidados para continuar a comemoração na casa deles, localizada no Jardim Cristal, em São José dos Pinhais.

Segundo ela, o jogador teria ido ao local de “penetra”, sem ter sido convidado. Quando chegou na residência, a testemunha afirmou que algumas pessoas já estavam deitadas, inclusive Cristiana.

Ela, Daniel e Allana ficaram um tempo bebendo juntos e fumando narguilé. A jovem relatou que o jogador não aparentava estar embriagado. Mais tarde, ela e a aniversariante se retiraram para tomar banho e foram para o quarto, que fica na parte superior da casa, enquanto a vítima continuou no térreo.

As agressões

Em um determinado momento, Ygor entrou no quarto e chamou David, que já estava deitado, para pedir ajuda diante da briga que acontecia no primeiro andar. A testemunha comentou que não ouviu nenhum grito de socorro de Cristiana e que ela apenas chamou a atenção de Allana, dizendo “ajuda, desce, senão seu pai vai matar o menino!”.

A jovem, então, foi com a amiga até o primeiro andar e viu que a porta do quarto parecia estar arrombada. Edison segurou Daniel pelo pescoço e pediu para que a filha saísse e fechasse a porta, o que ela fez.

Em seguida, a jovem falou que viu David, Ygor e Eduardo entrarem no cômodo, onde ficaram por cerca de cinco minutos. Ela declarou que ficou sem reação, sentada no sofá. Em seguida, eles saíram de lá e arrastaram Daniel para fora. A testemunha disse que ouviu Edison gritar “seu vagabundo, quem mandou mexer com mulher casada, no meu quarto!”.

A garota informou que pensou em pedir ajuda, mas o dono da casa a repreendeu. Ainda conforme o depoimento, um dos irmãos Purkote, que são gêmeos e estavam na casa, teria ido até a cozinha e saído com uma faca na mão. Ela não soube especificar qual dos dois.

Cristiana disse, em seguida, “não deixa ele fazer nada” e o marido respondeu “você está defendendo esse vagabundo?”. Edison ignorou os pedidos da esposa e colocou Daniel no porta-malas do carro. A testemunha comentou que a vítima ainda respirava naquele momento. David, Ygor e Eduardo acompanharam Edison até o local onde o jogador foi morto.

Limpeza da cena do crime

Dentro da casa, havia sangue na cama, no chão do quarto e do lado de fora. Antes de sair, Juninho Riqueza teria ordenado que as pessoas que ficaram na residência limpassem o local.

De acordo com a testemunha, o colchão foi cortado na parte onde estava sujo e esse pedaço foi queimado, junto com os documentos de Daniel. Segundo ela, o celular da vítima foi destruído por um dos irmãos Purkote.

As pessoas, então, foram embora. Ficaram na casa apenas a testemunha, Allana, Cristiana e a prima. Uma hora e meia depois, elas tentaram ligar para Ygor, mas ele não atendeu.

O retorno

Juninho Riqueza e os rapazes voltaram para casa após o crime – ele vestia roupas diferentes das que havia usado antes de sair. Allana questionou o pai sobre o que aconteceu e ele respondeu: “Matei ele”. A filha perguntou como e ele não disse mais nada.

Por volta das 14h, ainda no mesmo dia, Cristiana e Edison sentaram no sofá e ele comentou que “havia matado o gambá”. “Eu vi ele no meu quarto, com a minha mulher, vocês não têm noção”. Ele mesmo relatou que viu Daniel com Cris no quarto e que entrou no cômodo, deu um tapa na esposa e começou a agredir o jogador.

Posteriormente, a testemunha comentou que estava com fome e cozinhou um strogonoff para todos comerem. Cris pediu para que ela fritasse um pedaço de carne separada para ela e Edison não comeu nada.

A jovem falou que saiu da residência por volta das 18h e que Juninho deixou dito que, se alguém perguntasse por Daniel, era para dizer que ele tinha saído da casa usando um aplicativo de carona, sem dar mais informações.

Ela também foi convidada por Allana a ir no shopping na segunda-feira seguinte, junto com outras testemunhas, para que as histórias fossem acertadas. Ela relatou que não foi porque ficou com medo.

A delegacia de São José dos Pinhais já ouviu várias pessoas envolvidas no crime. O caso continua a ser investigado.

O caso

O jogador Daniel Correa Freitas, de 24 anos, foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, ele estaria em uma festa e foi morto após enviar fotos de Cristiana Brittes para amigos em um grupo de WhatsApp.