Por Marina Sequinel e Antônio Nascimento

Dor e revolta. Esses foram os sentimentos presentes no velório do representante comercial Gilson da Costa de Camargo, de 28 anos, que aconteceu nesta segunda-feira (18). O jovem foi morto ontem (17) por um policial militar de folga durante uma partida de futebol em Campina Grande do Sul, na região metropolitana de Curitiba.
Durante a cerimônia, Maria Cristina, amiga da vítima, contou à Banda B que a família está desolada e não consegue entender o que houve. “É muito triste, uma dor enorme, que não tem como expressar. Eu conhecia o Gilson desde que ele tinha 14 anos, nós trabalhamos juntos em uma empresa e só tenho elogios a fazer. Ele era um excelente rapaz e pai de família, vivia para a esposa e para o filho”.
Gilson deixou a mulher e o filho, um menino de oito anos. Para Maria Cristina, não tem como explicar a violência que tirou a vida do representante comercial. “A gente só pensa que falta Deus no coração das pessoas, lamentamos que um ser humano faça isso com outro. O que nos resta, agora, é rezar pela família do Gilson e também pela do homem envolvido, quem sabe ele possa ser tocado. Agora é o momento de pensar no amor, mesmo com a dor que estamos sentindo”, completou.
O caso
O crime aconteceu em uma cancha na Rua Júlio Guidolin, no Jardim Santa Rosa, na tarde de ontem. O time do policial disputava uma partida contra a equipe de Gilson. Em momentos diferentes, o representante foi expulso e o policial substituído no jogo. Os dois terminaram de assistir a partida pela arquibancada. A versão do policial é que ele perseguiu o representante, em direção ao estacionamento, por imaginar que ele estivesse armado, já que andava com as mãos na cintura.
O PM atirou três vezes contra Gilson. Imagens que circulam por meio das redes sociais nesta segunda-feira mostram uma garrafa de água sendo retirada da cintura do jovem, o que negaria a versão dada pelo policial.
O PM, lotado na Ronda Ostensiva Tático Móvel (Rotam) do 22º, foi levado por uma viatura até a Delegacia de Campina Grande do Sul.
Sumiço da arma
Sobre o sumiço da arma de Gilson, uma versão informal de um grupo de policiais diz que o PM teria retirado o objeto do chão e o guardado, por questão de segurança, já que várias pessoas teriam começado a se aproximar do corpo.
A reportagem da Banda B esteve no local e policial militares que estavam no atendimento preferiram não gravar entrevista.
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