O dono da rede de pet shops que foi acusada de maus-tratos, estelionato e falsificação de documentos, defendeu a empresa, na manhã desta quinta-feira (15). Com 12 anos no mercado, Arnaldo Bonachine, proprietário da Snow Dog, disse à reportagem da Banda B que, devido a repercussão da denúncia, 10 funcionários serão demitidos e uma loja está prevista para fechar.

Os cães foram recolhidos nesta terça-feira (13) (foto: PCPR)

“Temos 52 funcionários e todos estão sofrendo com isso. Alguns já abriram demissões. Serão famílias que vão ficar sem renda. Uma das lojas está em processo de fechamento, pois estamos sofrendo retaliação da mídias e nas redes sociais. Tivemos apenas duas queixas no Procon em todos esses anos. A empresa está 100% regularizada, todas as lojas com alvará de funcionamento”, explicou Bonachine.

Ainda segundo o dono, os animais tinham espaço para dormir, tomar sol, além de banho, tosa e maternidade. “Fomos pegos de surpresa também, hoje os animais tem um espaço de 13 mil m² que é a chácara, 5 mil m² que é a área de canil, com o lugar que eles dormem. Tem solário, tem quarentena, banho e tosa, maternidade. Quando os policiais foram no canil, tinha cerca de 400 kg de ração e água potável. Não conseguimos entender onde estão os maus-tratos”, esclareceu o dono da loja.

Em relação a ilegalidade da comercialização, Bonachine afirma que todos os cães são vistoriados e passam por, pelo menos, três veterinários antes de serem encaminhados ao cliente.

“São todos os cães têm pedigree, essa é uma acusação que desconhecemos. Atendemos a lei municipal 3.914, comercializamos os animais micro chipados, com atestado de saúde, contrato de compra e venda e damos a garantia. A empresa está aberta para esclarecer qualquer dúvida”, afirmou.

Defesa

O advogado de defesa da snow dog, Maurício Zampieri,  informou que a partir da próxima segunda-feira (19), eles iniciarão uma tese defensiva. “Temos uma farta prova documental. Vamos pedir nova oitiva dos proprietários e médicos veterinários. Temos testemunhas e clientes satisfeitos. Analisando a documentação do inquérito policial, há crime de falsos testemunhos que serão apurados. Vamos rechaçar essas acusações”, explicou.

Sobre a doação dos cães, o advogado ainda disse que será feita uma medida cautelar para suspender essa situação. “É até estranho que estão fazendo as doações desses animais sem o devido procedimento contraditório da empresa. Vamos buscar através do poder judiciário a não doação deles”, completou.

O caso

Uma operação da Polícia Civil do Paraná (PCPR) recolheu mais de 60 cães da rede de pet shops. A equipe investigava a empresa há três meses e cumpriu 11 mandados de busca e apreensão. Segundo o delegado Matheus Laiola, da Polícia Civil, a denúncia foi feita por um ex-funcionário do pet shop. Chegando no local, eles encontraram os animais em condições insalubres.

“Eles enganavam o consumidor dizendo que os animais vinham de São José dos Pinhais, mas nem todos vinham de lá. Os animais estavam em condições insalubres no local e passavam dias sem alimentação adequada. Inclusive, alguns estavam doentes”, explicou.

A empresa atuava na venda de filhotes de cães de raça, tem canil e clínica veterinária. Segundo a PCPR, o grupo se utilizava da estrutura e da fama consolidada para ludibriar clientes, que adquiriram animais a alto custo acreditando em sua procedência, mas na verdade recebiam animais com problemas. Na maioria das vezes com doenças e com emissão de “pedigree” falso.