Um adolescente de 17 anos foi morto pela Polícia Militar (PM) suspeito de integrar um bando que assaltou duas pessoas, entre elas um policial, em uma lanchonete, no bairro Tanguá, em Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba. Deyvid Luigi Fronza foi morto com cinco disparos de arma de fogo, dentro do terreno onde morava com a família. A polícia confirmou que Fronza estava com a arma roubada do policial e parte do dinheiro de outro cliente assaltado. A família contesta com vídeos e fotos, afirmando que ele foi morto por engano.

O roubo aconteceu no bairro Tanguá, região do Morro da Formiga. Quatro suspeitos desembarcaram de um Gol, de cor vermelha, e abordaram clientes de uma lanchonete, na rua Rio Grande do Sul. “Eles desembarcaram do carro e levaram de um dos clientes uma grande quantidade de dinheiro, que seria para um pagamento. O policial estava fazendo um lanche e foi rendido. Ele tentou uma reação, mas não conseguiu a tempo, nessa situação, eles conseguiram levar a arma do policial. Eles efetuaram disparos quando o policial esboçou reação, mas ele não foi atingido”, descreveu o tenente Rafael de Souza à Banda B.

Para a Banda B, o soldado que sofreu o assalto disse que os criminosos agiram com violência. “Eles falavam ‘tira o capacete, tira o capacete’, aí quando um deles arrancou, disse ‘você é de Deus, né, cara? Eu também sou, ninguém mata polícia, aqui’, e foram embora. Mas antes de tirar o capacete, chegaram a atirar, mas não acertaram”, contou o policial.

Antes de fugirem, eles roubaram a arma do policial de folga. O carro usado por eles na fuga foi visto no Parque Tanguá, em Curitiba, e abordado pela Guarda Municipal. Dois foram presos e dois conseguiram escapar. Segundo a polícia, os dois presos confessaram um local onde era usado por eles para fazer a divisão dos roubos.

Duas viaturas da PM foram até o local indicado, na rua Ernesto Khol, no bairro Pilazrinho, e viram um rapaz correndo e pulando o muro de uma casa. “Eles mesmos indicaram que usavam uma casa nos fundos para se encontrar. Nessa abordagem foram recebidos a tiros e revidaram. Localizamos a arma, ele estava usando a arma do policial e o restante do dinheiro do assalto. As vítimas não tem dúvidas, já reconheceram”, garantiu o tenente à Banda B.

O suspeito morreu dentro do terreno da casa da família. A Polícia Científica foi acionada e o perito Eumir Oliveira confirmou que ele foi morto com sete disparos de arma de fogo. “Eles indicaram essa residência, mas chegando lá não encontraram ninguém, mas acharam a arma do policial e uma quantia em dinheiro. Uma vizinha disse que um menino tinha pulado o muro de uma casa e os policiais fizeram um cerco. Ele tinha disparos no peito, tórax e abdômen, foram sete tiros, no total. No bolso dele havia um papelote com maconha”, finalizou o perito à Banda B.

‘Dei muito tiro nele’

Para a família do adolescente, policiais confundiram o jovem e mataram o suspeito errado. A tia de Deivid Eliane Coutinho disse o garoto correu para casa ao ouvir disparos de arma de fogo. “Eles entraram com tudo e atiraram nele. o menino estava na casa da vó e correu para dentro de casa quando ouviu os tiros, mataram um menino inocente. Ele estava na casa da vó, não tinha nada com assalto nenhum. Estuda, não faz nada errado, meu Deus. Um falou para o outro ‘matei ele, dei muito tiro nele’, brincando com o outro policial. Meu Deus”, se desesperou a tia.

A primeira foto registrada pela família do corpo do jovem aconteceu sob protestos dos policiais, que proibiram os próximos de registrar e filmar a cena. A família ainda afirma que os policiais, depois da confusão entre os moradores, voltaram no corpo e colocaram uma arma. “Ele não tem arma nenhuma nas mãos, como eles disseram que tinha depois. Eles sempre fazem dessa, mas a gente nunca acha que vai acontecer com a gente, meu Deus”, finalizou a tia.

PM

Segundo o tenente Rafael de Souza, a arma do policial estava com o garoto. “A casa não é de familiares, se ele mora, morava sozinho. Com certeza, ele atirou contra os policiais. A arma e o dinheiro localizados, indivíduos reconhecidos e tudo mais. A contenção é direito das famílias, mas a Civil e a Criminalística está aí para apurar”, garantiu.

Versões diferentes

Para a Banda B, o perito da Polícia Científica deu a versão de que a arma foi encontrada em um ‘mocó’ utilizado pelo bando, junto a quantia de R$ 3,5 mil. No entanto, o tenente da Polícia Militar diz que a arma estava com o suspeito morto e tinha, inclusive, sido utilizada nos disparos contra os policiais.

 

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Depois de roubo a arma de PM, polícia mata suspeito e família garante: “Erraram”

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