O caso das três crianças encontradas sozinhas em uma casa nesta terça-feira (11), no bairro Santa Cândida, em Curitiba, teve início após uma denúncia feita por vizinhos, que alertaram a Polícia Civil sobre um menino de 10 anos que aparecia em postagens nas redes sociais segurando uma arma. Duas mulheres, de 35 e 44 anos, foram presas em flagrante por abandono de incapaz.

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Foto: Polícia Civil do Paraná

No início, os policiais não sabiam se o item mostrado pelo menino era uma arma verdadeira ou um simulacro. A partir da denúncia, e com o auxílio da escola onde ele estudava, a equipe conseguiu identificar o endereço da criança e cumpriu um mandado de busca e apreensão na casa.

“Deflagramos uma operação policial para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão. O objetivo era apreender simulacros ou armas de fogo que estariam em posse de uma criança de apenas 10 anos”

explicou o delegado Rodrigo Rederde.

Durante a operação, os policiais encontraram três crianças sozinhas na residência — o menino de 10 anos e duas meninas, de 11 e 13 anos —, além de simulacros de arma de fogo, entre eles réplicas de pistola e de fuzil.

De acordo com o delegado, as crianças não são irmãs. O menino é filho de uma mulher de 35 anos, e as duas meninas são filhas de uma mulher de 44 anos.

“As mães tentaram se esquivar da responsabilidade, dizendo que as crianças não estavam sozinhas há tanto tempo. Mas constatamos que elas estavam há pelo menos dois dias sem qualquer assistência, sem alimentação e sem cuidados. Também tentaram delegar essa responsabilidade para as próprias crianças, como frequentar a escola, ter responsabilidade com alimentação, o que não é o correto”

relatou Rederde.

A Polícia Civil ainda investiga como as crianças tiveram acesso aos simulacros e se há outras pessoas envolvidas. As mulheres foram encaminhadas ao sistema penitenciário. Já as crianças ficaram sob os cuidados do Conselho Tutelar.

“Atualmente, o crime de abandono de incapaz não cabe mais fiança. A pena é de dois a cinco anos, então elas permanecem presas à disposição da Justiça”

completou o delegado.