Promotor João Milton Salles falou com a imprensa após encerramento do inquérito (Foto: Flávia Barros – Banda B)

 

Com a conclusão das investigações sobre a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas por parte da Polícia Civil, cabe agora ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) oferecer a denúncia à Justiça. Em entrevista coletiva concedida nesta quarta-feira (21), o promotor João Milton Salles disse que deve encerrar essa etapa até a próxima sexta-feira (23). Se a Justiça de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, aceitar a denúncia, todos os citados passam a responder ao processo como réus.

De acordo com Salles, o MP está apenas aguardando a divulgação dos laudos periciais, para encaminhar a denúncia ao Poder Judiciário. “Como acompanhei as investigações, acredito que não vai teremos nada surpreendente com os laudos. O que posso garantir é que a imputação depende da conduta de cada um. Cada um dos agentes irá responder na medida do que foi apurado de sua atuação. Não existe uma possibilidade de que seja colocado uma conduta que a pessoa não praticou, até porque seria uma arbitrariedade”, disse.

Daniel morreu aos 24 anos (Foto: Divulgação São Paulo)

Os laudos serão divulgados nesta quinta-feira (22) pelo diretor da Polícia Cientifica, Leon Grupenmacher, e pelo diretor do Instituto Médico Legal, Paulino Pastre. O delegado Amadeu Trevisan, que já encerrou o inquérito, também irá participar da divulgação.

Segundo o promotor do MP, os laudos são importantes para definir o momento em que cada ação contra Daniel ocorreu. “Acredito que os laudos vão demonstrar os fatos apurados. É difícil dizer podem alterar algo, até porque os fatos ficaram muito claros. As perícias podem mostrar o momento e quais as lesões causaram a morte, além de demonstrar o que aconteceu no segundo local de crime, já que ele morreu em um local e foi encontrado em outro. Queremos confirmar a dinâmica”, concluiu.

O inquérito da Delegacia de São José dos Pinhais já ultrapassa 370 páginas, constando os depoimentos de todos os envolvidos, fotos, vídeos, áudios, além das diligências, relatórios policiais e laudos periciais solicitados durante o período de investigação.

Indiciados

Edison Brittes Júnior – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

Eduardo da Silva – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

Ygor King – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

David Willian da Silva – homicídio qualificado e ocultação de cadáver;

Cristiana Brittes – coação de testemunha e fraude processual;

Allana Brittes – coação de testemunha e fraude processual;

Eduardo Purkote – lesões graves.

Defesa

Para a defesa dos Brittes, o indiciamento destoa da verdade. “Diante da conclusão do inquérito policial que investiga a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas, o indiciamento de Alana e Cristiana destoam dos fatos ocorridos e tudo ficará provado. A defesa diz ainda que Edison Brittes irá justificar sua conduta em Juízo”, finaliza a nota oficial.

O caso

Daniel foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, ele estaria em uma festa e morreu após enviar fotos de Cristiana Brittes para amigos em um grupo de WhatsApp.