A dentista Kauane, de 24 anos, se emocionou ao relatar os dias de terror que viveu ao ser mantida em cárcere privado, torturada e abusada pelo então companheiro em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba. A entrevista foi concedida à Ric RECORD.

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— Foto: Arquivo pessoal

O suspeito foi preso no último dia 11 e responde por tentativa de feminicídio, estupro de vulnerável, tortura, lesão corporal, ameaça e registro não autorizado de intimidade sexual.

De acordo com a Polícia Civil do Paraná, Kauane procurou a corporação após sofrer novas agressões no dia 7 de dezembro. À polícia, ela contou que, naquela data, foi mantida em cárcere por cerca de 12 horas, período em que sofreu agressões físicas, psicológicas e ameaças de morte. Segundo o relato, ela foi espancada com socos, chutes, puxões de cabelo e chineladas, além de sofrer injúrias constantes. As agressões só cessaram quando a jovem conseguiu fugir da residência.

“Só Deus sabe o que eu passei dentro daquela casa. Se eu não tivesse fugido, eu não estaria viva”, desabafou a vítima.

Ainda conforme a investigação, os episódios de violência não foram isolados. Nos dias 3 e 4 de dezembro, Kauane já havia sido espancada e violentada pelo agressor. Em uma das ocasiões, teve a cabeça arremessada contra um espelho, o que causou perda temporária da visão e da audição do lado direito.

“Em uma dessas discussões, ele me apagou, me deu um mata-leão. Ele me dava socos, batia, meu joelho começou a sangrar. Depois de uns 20 minutos, ele falou que, na próxima vez, seria pior”, relatou.

A jovem contou ainda que o ciclo de violência era seguido por pedidos de perdão, que nunca se concretizavam em mudança de comportamento. “No dia seguinte, ele pedia perdão, chorava horrores, dizia que iria mudar. Mas, logo depois, as agressões se intensificavam. Minha mandíbula estava totalmente deslocada”, afirmou.

Além das agressões físicas, Kauane disse que vivia sob constantes ameaças. “Eu era ameaçada com as armas que ele tinha”, contou.

O processo instaurado pela Polícia Civil investiga os crimes de tentativa de feminicídio e estupro, entre outros. A vítima afirma que decidiu denunciar para evitar que outras mulheres passem pela mesma situação. “Ele ia me matar, uma hora ou outra. Eu nunca imaginei passar por isso. Ele não pode fazer isso com mais ninguém”, concluiu.

O caso segue sob investigação, e o suspeito permanece à disposição da Justiça.