Após quatro anos, o delegado Erik Busetti foi condenado, na madrugada desta sexta-feira (5), pelo duplo feminicídio da esposa, Maritza Guimarães de Souza, de 41 anos, e da enteada, Ana Carolina de Souza, de 16. Ao todo, serão 38 anos e 10 meses, além também da perda do emprego de delegado e do poder familiar. A defesa diz que vai recorrer. A família das vítimas diz que a Justiça foi feita.

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Foto: Banda B.

O julgamento de Erik Busetti durou ao todo quatro dias, e foi marcado por uma intensa tentativa da acusação de comprovar que de fato o crime que ele cometeu foi um feminicídio, conforme a denúncia feita pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).

Caroline Machado, irmã de Maritza, disse, ainda emocionada em reviver todo cenário do crime, que o resultado é também uma forma de fazer com que as duas vítimas descansem.

“Sentimento de toda a nossa família é de que a Justiça foi feita. Que ele vai pagar por toda a tristeza que ele fez a gente passar. E que agora elas vão ter o descanso eterno e nós vamos poder por um ponto final nessa história”

desabafou Caroline Machado, irmã de Maritza.

Samuel Rangel, advogado da família de Ana Carolina, o resultado foi o esperado. Inclusive na questão do feminicídio, que foi acolhido pelos jurados.

“Com certeza era o que nós esperávamos. Foram quatro anos e quatro meses, para um julgamento de quatro dias. Extremamente desgastante, a instrução foi desnecessariamente alongada, para mim aquilo se tornou extremamente complicado, mas graça a Deus o corpo de sentença do Tribunal do Júri de Curitiba muito bem decidiu”

disse Samuel Rangel, advogado da família de Ana Carolina, filha de Maritza.

O advogado reforçou que o julgamento também serve como resposta a outros casos semelhantes, no que diz respeito a mostrar à população que Curitiba faz Justiça.

“Após quatro anos de muita tristeza, falamos um não para a covardia, um não para os maus-métodos, um não para o machismo. Às vezes é necessário que a sociedade se organize e julgue com profundo rigor esses covardes que estão aí para ceifar vidas de inocentes, como neste caso”

comentou o advogado de Ana Carolina.

Perda do poder familiar

Além da pena de quase 39 anos e da perda do emprego, pois mesmo preso Erik Busetti continuava recebendo o salário de delegado, a decisão da Justiça também tratou de outro quesito: o poder familiar. 

Roberta Massa, promotora de Justiça, explicou que o próprio Código Penal prevê estes efeitos, considerados como “extra-penais” da pena.

“Por isso que a gente sempre pontua a importância de haver a responsabilização porque não é só o encarceramento. No caso do réu, ele estava até hoje recebendo, dos cofres públicos, o salário de delegado. É necessário uma condenação para que ele perdesse de pronto o cargo e não só isso, a questão da perda do poder familiar. A pessoa que é condenada por dois feminicídios, a própria lei e o Código Penal já faz o raciocínio lógico de que a consequência é essa”

disse Roberta Massa, promotora de Justiça.

A promotora explicou que a decisão da Justiça pela perda do poder familiar, sobretudo, vem para proteger a filha do agora ex-delegado de polícia.

“Essa pessoa não tem condição de continuar exercendo esse poder familiar. Ele recebeu 38 anos e 10 meses, é um tempo considerável, então isso vem até para proteger a menor, que não pode esperar pelo pai. A juíza nessa parte foi incorrigível, acertou a pena de maneira incorrigível”

explicou a promotora de Justiça.
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Foto: Banda B.

Haverá recurso

O advogado que representou a equipe de defesa de Erik Busetti, Cláudio Dalledone Jr, disse que vai recorrer da decisão. Isso porque ele entende que o crime não se trata de um feminicídio.

“Com toda certeza haverá recurso. Nós temos matérias a serem discutidas. Mas o ponto que ficou claro, quem assistiu ao julgamento, viu. Quatro votos a três pelo feminicídio e isso é um avanço civilizatório. A questão do feminicídio está muito vulgarizada, tudo se transforma em feminicídio. E essa salvaguarda tão poderosa para a proteção das mulheres e tão válida, é uma pauta que está sendo vulgarizada. Ficou mais do que caracterizado que não foi feminicídio, apenas por um voto”

comentou o advogado de Erik Busetti.

Segundo o advogado, Erik, que volta para a prisão, recebeu a condenação com tristeza.

“Porque ele nunca foi alguém que abusou daquela maneira como ‘caricaturizaram’ ele. Ele sempre foi um marido, um pai zeloso. Os dois já não estavam juntos, dividiram o mesmo teto, naquela noite foi armadilhado de todas as maneiras, uma investigação seletiva, tendenciosa e que tudo será observado. Não acabou, só começou”

prometeu Dalledone.

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Delegado Erik Busetti é condenado pelo duplo feminicídio da esposa e enteada, e defesa promete: ‘Não acabou’

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