Daniel atuou pelo Coritiba no ano passado. (Foto: Divulgação)

O delegado Amadeu Trevisan, responsável pelas investigações da morte de Daniel Corrêa Freitas, de 24 anos, disse que a reação do suspeito, o empresário Edison Brittes Junior, 38, foi totalmente desproporcional à qualquer suposta atitude da vítima contra a mulher dele. “Mesmo que tenha havido uma tentativa de estupro, o que nós ainda não podemos confirmar, é preciso entender que a resposta foi um excesso da parte dele, ele jamais poderia ter agido desta forma”, disse o delegado em entrevista coletiva na tarde desta quinta-feira (1).

Edison Brittes, que tem um mercado em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, se apresentou à polícia na manhã de hoje e confessou o crime. Além dele, também foram detidas a esposa, Cristina Brittes, 35, e a filha do casal, Allana Brittes, de 18.

A versão do empresário dá conta de que, durante a festa que acontecia na casa dele, Cristina começou a gritar por socorro e ele saiu correndo, em direção ao quarto onde ela estava. Ele teria arrombado a porta e visto Daniel sobre ela, de cueca, tentando manter relações sexuais.

O delegado esclareceu, no entanto, que até o momento, não é possível confirmar essa informação. “Nós nem sabemos ainda se houve, de fato, relação sexual entre os dois. O que temos é uma foto que o jogador mandou para um amigo pelo WhatsApp ao lado de Cristina, enquanto ela dormia. Isso indica que a vítima foi imatura em ter tomado esse tipo de atitude. Mesmo assim, ainda ressaltamos que a reação do Edison foi desproporcional. Não havia necessidade de tamanha crueldade. Daniel foi torturado, teve o pescoço cortado e o órgão genital arrancado”, completou.

Segundo as investigações, o jogador foi morto na manhã do último sábado (27). Na noite anterior, Daniel participou da festa de aniversário de Allana, em uma casa noturna de Curitiba. Trevisan contou que o jogador já era conhecido da jovem, já que participou da festa de 17 anos dela.

O grupo de amigos decidiu continuar a celebração na residência dela, onde Daniel foi espancado antes de ser morto. “Nós acreditamos que houve o uso de bebida e até mesmo de outras substâncias. Mais pessoas participaram da agressão e, depois disso, a vítima foi colocada dentro do porta-malas do carro de Edison, torturada e desovada no local onde foi encontrada no sábado pela manhã”.

Envolvimento das mulheres

Trevisan ainda explicou que Cristina e Allana foram presas porque elas não tomaram nenhuma atitude para conter ou denunciar as agressões e o assassinato. “Elas estiveram o tempo todo ali, algum auxílio elas deram. Além disso, acreditamos que Edison não cometeu o homicídio sozinho, há mais pessoas envolvidas, que nós estamos investigando”.

Os três foram presos temporariamente, por um prazo de 30 dias, que pode ser prorrogado dependendo do rumo das investigações. A residência e o carro devem passar por uma nova perícia nos próximos dias.

Havia a expectativa de que Edison fosse falar com a imprensa ainda durante a tarde de hoje, o que acabou não acontecendo.

Família do jogador

A Banda B entrou em contato com a família do jogador. A informação é de que, neste momento, ninguém vai se manifestar.