Com dezenas de páginas, a defesa de Luis Felipe Santos Manvailer preparou um dossiê em que contesta a acusação e afirma que a advogada Tatiane Spitzner se jogou do 4° andar do prédio em que os dois moravam, em Guarapuava, no Centro-Sul do Estado. Para os defensores, Cláudio Dalledone Junior e Adriano Bretas, todas as provas do processo criminal apontam para a ocorrência de um suicídio. Na quarta-feira (17), a juíza Paola Gonçalves Mancini de Lima encaminhou o recurso da defesa para que o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) chegue a uma decisão sobre o júri popular.

Luis Felipe e Tatiane (Arquivo Pessoal)

De acordo com Dalledone, não há sombra de dúvidas de que o que aconteceu foi um suicídio. “A prova testemunhal demonstra isso, porque testemunhas disseram que ela [Tatiane] caiu gritando, e toda prova pericial também nos deixa bem confortáveis a sustentar que o que ocorreu ali foi um suicídio. Temos um frenesi estabelecido, que está embalado por um perito criminal que deu naquele uma opinião absolutamente equivocada e um precedente perigoso, porque ele não é médico legista, de que existia uma fratura no osso hioide. Fato é que, durante a audiência, toda a acusação não se confirmou”, disse.

Um dos principais pontos de questionamento do dossiê é justamente o laudo do Instituto Médico Legal (IML). Dalledone afirma que o perito atestou o ferimento no osso hioide, que fica na região do pescoço, sem saber com exatidão o que teria ocorrido. O corpo de Tatiane chegou a ser recolhido novamente ao IML, já que não havia sido liberado oficialmente para a funerária.

Segundo o advogado Adriano Bretas, outro ponto que causou estranheza foi a mudança entre os depoimentos ocorridos na delegacia e agora nas audiências. Para ele, há uma clara “orquestração” nessas mudanças. “Na delegacia, todos disseram que ouviram Tatiane gritar enquanto caía ou, quando muito, antes do estrondo da queda. Já em juízo, eles criaram um intervalo de cinco minutos entre os gritos e o estrondo. A única testemunha que se manteve fidedigna, curiosamente, é a que não mora mais em Guarapuava. Não há sombra de dúvidas que ouve algo, movido por interesse subalternos, já que os depoimentos foram regidos pela batuta de um mesmo maestro”, garantiu.

Luis Felipe Santos Manvailer foi denunciado por feminicídio, qualificado por motivo fútil, morte mediante asfixia e uso de meio que dificultou a defesa. Ele também foi denunciado pela prática dos crimes de cárcere privado (por ter impedido a saída da esposa do apartamento) e fraude processual (por ter removido o corpo da vítima do local da queda e limpeza do sangue deixado no elevador). Para o Ministério Público do Paraná (MP-PR), o denunciado passou a agredir a vítima após uma discussão quando retornavam de uma casa noturna, tendo, ao final das discussões, lançado-a da sacada do apartamento onde residiam, no 4º andar. Consta da denúncia que, durante as agressões, o acusado “produziu lesões compatíveis com esganadura (…) praticando tal delito mediante asfixia”.

Prova suspeita

Para Dalledone, o corpo ter saído da funerária e retornado para o IML quebra da cadeia de custódia da prova. “Isso torna tudo suspeito e é um dos maiores absurdos que já vi enquanto estou na advocacia. Esse corpo, esses ossos e tudo o que estava ali não estava puro para se fazer qualquer constatação. Toda dúvida militar a favor do acusado”, concluiu.

Júri

Ao enviar para o Tribunal de Justiça a decisão sobre o júri, a juíza Paola Gonçalves Mancini de Lima justificou que que as razões recursais apresentadas pela defesa não são hábeis a modificar os argumentos esposados. A expectativa é que o TJ-PR decida sobre o júri popular no segundo semestre.