(Foto: Reprodução)

 

Apesar da retificação do laudo que apontava um suposto disparo de arma de fogo no caso do atropelamento de Jean Martins Cavalli, a defesa do motorista de aplicativo Rafael Antonicomi da Silva ainda acredita que o passageiro atirou contra o veículo. A correção do documento, que voltou atrás e afirmou que não há como ter certeza se houve ou não o disparo, foi protocolada nesta quarta-feira (16).

A nota enviada à imprensa pelo advogado de Rafael, Igor José Ogar, diz que a retificação apenas esclarece que não é possível confirmar que houve o disparo com absoluta certeza, mas que “parece que foi efetuado o disparo por Jean”. “A possibilidade do disparo continua existindo, conforme conclusão inicial do laudo pericial, conclusão que ainda se mantém mesmo após a retificação”.

A defesa ainda afirmou que vai requerer a realização de um laudo complementar pelo Instituto de Criminalística com o objetivo de esclarecer, com o próprio perito que assinou o documento, “o que poderia produzir o clarão visto nas imagens se não uma arma de fogo”. “Importante ainda ressaltar que, em nenhum momento da retificação do laudo, o perito afirma não ter existido arma de fogo ou disparo”. (Confira a nota na íntegra no fim da reportagem)

Mudança no laudo

O primeiro laudo sugeria que Jean teria atirado contra o carro de Rafael antes de ser atropelado. Para chegar a esse resultado, o documento analisou as imagens de câmeras de segurança instaladas no local da ocorrência, na Rua Antônio Escorsin, no bairro São Braz, em Curitiba.

Hoje, no entanto, a seguinte nota foi divulgada pela Polícia Civil: “Referente ao caso do 99pop, houve uma retificação do laudo com relação ao anterior. Os peritos retificaram a informação quanto a possível disparo de arma de fogo, considerando a baixíssima definição e a impossibilidade de pronunciamento categórico quanto à origem do clarão observado”.

O que diz a família de Jean

A irmã da vítima, Karin Martins Cavalli, ficou indignada com as declarações do advogado de Rafael durante a divulgação do primeiro laudo. Ela nega que Jean possua uma arma e disse que ele não tem passagens pela polícia. “Nós ficamos sem saber o que dizer com tudo isso. Chega até a ser ridículo. Ele não tem antecedentes criminais nem nada, nunca fez mal a ninguém. Se ele tivesse uma arma, provavelmente se defenderia e não deixaria que o motorista o atropelasse. Essa versão deles é mentirosa”, comentou.

Defesa de Rafael

Confira, na íntegra, a nota da defesa de Rafael:

A retificação do primeiro laudo não altera o seu teor, no sentido de que o sr. Jean Ricardo Martins Cavalli pode ter se utilizado de arma de fogo para disparar contra o veículo conduzido pelo sr. Rafael Antoniacomi. A retificação apenas esclarece que, até o presente momento e tendo em vista a qualidade das imagens, não é possível afirmar que houve disparo com absoluta certeza; no entanto, parece que foi efetuado disparo pelo sr. Jean. A possibilidade do disparo continua existindo, conforme conclusão inicial do laudo pericial, conclusão que ainda se mantém mesmo após a retificação.

Tendo em vista o resultado inconcludente da perícia realizada pelo Instituto de Criminalística, a Defesa irá requerer a realização de laudo complementar pelo Instituto de Criminalística com a finalidade de que seja esclarecido pelo próprio perito que fez a perícia todos os fatos que permaneceram inconclusos, principalmente para que ele esclareça o que poderia produzir o clarão visto nas imagens se não uma arma de fogo; além disso, a Defesa contratará empresa especializada em realizar perícias em vídeo com a finalidade de esclarecer a dinâmica dos fatos.

Importante ainda ressaltar que, em nenhum momento da retificação do laudo, o perito afirma não ter existido arma de fogo ou disparo.

Vídeo

Para assistir ao vídeo que mostra o atropelamento, clique aqui.