Junkes morreu com três tiros no Juvevê (Foto: Reprodução Facebook)

 

A defesa do empresário Antonio Humia Dorrio, 49 anos, acusado de assassinar o vizinho por causa de som alto, está pedindo exumação do corpo de Douglas Regis Junckes, 36 anos. A motivação seria por contradições encontradas no laudo realizado pela Polícia Científica, no local do crime, e no laudo de necropsia, feito pelo legista do Instituto Médico Legal (IML). O crime aconteceu no dia 20 de maio do ano passado, em uma tarde de domingo.

A defesa do empresário apresentou laudo confeccionado por um perito, professor titular de Medicina Legal da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Francisco Miguel Roberto Moraes Silva, com diversas contestações. Entre os pontos destacados pela defesa está a quantidade de disparos de arma de fogo efetuados. Segundo a defesa, o Instituto de Criminalística diz que Douglas foi atingido por quatro disparos. Já para o Instituto Médico Legal, foram cinco tiros, sendo que um deles na testa da vítima. “Não estamos tratando aqui de simples contradições que são naturais entre os laudos. Estamos falando de um médico legista do IML falando em cinco tiros enquanto o perito que esteve no local do crime fala em quatro disparos, conforme análise de local”, explicou Adriano Bretas, que defende o empresário.

Para o advogado, a situação torna-se ainda mais grave quando o legista afirma que o suposto quinto disparo atingiu a testa da vítima. “Quando o médico legista apresenta esse quinto tiro atingindo a testa da vítima, a primeira ação é recorrer as fotos do corpo da vítima no local dos fatos. Não existe, não é visível, não se identifica o ferimento no local indicado, não há orifício de entrada da bala na testa. Se fosse o caso, certamente as fotos revelariam, mas não o fizeram”, apontou o defensor.

Segundo a defesa, no local da morte, a perícia constatou uma perfuração em região abaixo do olho direito da vítima conforme foto juntada aos laudos. O ferimento foi fruto de um disparo causado durante a luta entre os vizinhos. Porém, mesmo com a foto mostrando o ferimento na região próxima ao olho direito, IML e Criminalística apontaram o ferimento como sendo na região abaixo do olho esquerdo do engenheiro. “Não são incoerências simples. Aparentemente estamos diante de uma sucessão de erros que podem comprometer todo o processo que investiga este fato. Por este motivo, pedimos junto à justiça, que seja feita a exumação do corpo. Somente assim será possível confirmar, por exemplo, se a vítima foi ferida por um disparo na cabeça. Se isso de fato ocorreu, a evidência estará lá. Precisamos da verdade, somente a verdade e a clareza dos fatos para que a justiça seja feita”, concluiu Bretas.

Crime

Segundo o inquérito, Dorrio tinha voltado de viagem e queria dormir no domingo à tarde. Ele teria ficado irritado com o som alto do vizinho debaixo, no 4ª andar. Foi tirar satisfações, já armado, ao que tudo indica. Os dois entraram em luta corporal e o empresário deu três tiros em Junkes. A vítima morreu na hora e o atirador fugiu de carro, pedindo socorro no Hospital Cajuru, por também ter ferimentos no braço.

 

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