Parte do resultado toxicológico realizado no jogador morto. Foto: Polícia Civil/Reprodução

 

O laudo de dosagem alcoólica apontou que o jogador Daniel Correia de Freitas, 24 anos, estava bastante embriagado no momento do crime, no último dia 27. A Polícia Científica concluiu a avaliação toxicológica feita no corpo do jogador encontrado morto, em um matagal em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Para o delegado Amadeu Trevisan, que coordena as investigações, o resultado leva a um homicídio qualificado, já que a vítima estava totalmente indefesa e foi morta de maneira cruel.

O exame realizado no corpo de Daniel, encontrado no início da tarde de sábado, poucas horas após o crime, revela que o jogador tinha ingerido bebida alcoólica. “Percebe-se que o Daniel estava bastante embriagado, estava com 13,4 dg/L de álcool no sangue. Sem dúvida, a vítima estava totalmente indefesa. Foram quatro pessoas que dominaram a vítima, o David, o Eduardo, o Igor e o Edison. Sem dúvidas, a família Brittes está mentindo. Começaram inventando uma história, agiram na tentativa de modificar a primeira história, com coação de testemunhas, em uma fraude processual. Depois quando foi descoberta a autoria eles mudaram a versão”, disse o Trevisan, em coletiva de imprensa, na manhã desta terça-feira (6).

O depoimento de Edison Brittes estava marcado para acontecer pela manhã, mas foi adiado pela ausência do advogado de defesa, Cláudio Dalledone. “Agora, será amanhã de manhã. Estamos caminhando para a reconstrução do que realmente aconteceu. Chegaremos muito próximo, até o fim do inquérito, da verdade”, garantiu o delegado.

Às 16 horas haverá quatro depoimentos de testemunhas importantes, que estavam na after party e poderão contribuir com depoimentos. “Essas pessoas têm identidade sigilosa. Não são os que estavam com a família no carro porque eles não são testemunhas, eles fazem parte do crime, serão indiciados”, alerta Trevisan.

Mãe e filha

Para o delegado, o depoimento da mãe e da filha, Cristiana e Allana Brittes, presas quatro dias após o crime, não teve surpresa, mas detalhes importantes foram anexados aos autos. “Houve a coação de testemunhas em um shopping que foram na segunda-feira, onde coagiram a testemunha, o Lucas Mineiro. Isso está bem esclarecido. Cristiana, Alana, mineiro e Edison, onde o último pede para que todos ali fechem uma história só. Eles queriam tirar algumas pessoas que estavam na casa, tirar do rol de testemunhas. Eles pedem que contem uma história só. O Edison é muito claro, ele diz isso muito claro, ele ameaça, adverte de que aquela conversa seria um elo e ele não poderia romper. Que pela parte da manhã, a vítima viu a porta aberta e saiu”, descreveu o delegado, enfatizando a participação da mãe e da filha no crime.

Outro detalhe apurado nos depoimentos é quanto ao momento da troca de roupa de Cristiana, já que ela aparece vestida com a roupa da festa nas fotos tiradas por Daniel. “Não foi o Edson, quem coloca o pijama curto na Cristiana é a Allana. A mãe chegou da festa e estava dançando em cima da mesa da casa, quando a menina colocou pijama curto nela. Não foi para dormir. Temos uma discrepância nesses depoimentos porque a Allana diz que coloca o pijama nela, quando ela estava nos fundos da casa. É muito relevante o ponto, também, em que ela afirma que o marido saiu de casa comprar cerveja e ele diz que não”, aponta o delegado Trevisan.

Cristiana corrobora a versão do marido e diz que acordou com Daniel na cama dela. “Ela teria despertado com Daniel na cama dela. Ela trouxe detalhes, mas que eu infelizmente não posso revelar. É a palavra dela, ela confirmar que houve uma tentativa, mas é a palavra dela, apenas, isolada, contra tudo que temos nos autos, principalmente, com oitivas de mais testemunhas”, afirma.

Morte

A premeditação do crime é outro ponto importante que a polícia procura fechar o ciclo com depoimentos de testemunhas. “O crime começou naquela manhã, mas nós temos que observar o lapso de tempo. Houve muito tempo para que esse crime fosse evitado, não foi de violenta emoção. E outra , violenta emoção dele que é o marido, mas e os outros?”, indaga o delegado. “Participaram a título de quê? Participaram para quê? Violenta emoção não se transmite, isso seria do marido, mas eles participaram em tudo para que o crime acontecesse”, completa.

De acordo com o depoimento de Allana, Daniel ainda estava vivo quando foi colocado no porta-malas do carro da família. “Segundo testemunhas e pelo próprio depoimento de Allana, o Daniel se mexia, logo, obviamente, estava vivo, mas não falava mais nada. Quando ele foi colocado no porta-malas do veículo, ele ainda estava acordado, com vida, então, na mutilação eu acredito que estivesse desacordado”, contou o delegado.

Para Trevisan, todos os envolvidos responderão por homicídio qualificado perante um Tribunal do Júri. Cristiana e Allana
devem ser transferidas para a Penitenciária Feminina, já que seus depoimentos foram oficialmente colhidos pela investigação. O inquérito deve ser concluído até o fim de novembro, sendo prorrogável a pedido do delegado, e, então, encaminhado ao Ministério Público do Paraná (MPPR), que ficará responsável por oferecer a denúncia.