A publicação de uma crítica a policiais militares, compartilhada por um professor da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), está causando polêmica e o caso deve ser levado à Justiça nos próximos dias. Com imagem de um policial com o corpo voltado para fora de uma viatura, a imagem traz a seguinte mensagem: “Ser policial é mais do que assassinar pobre, é coletar propina, cheirar pó e agredir manifestante”. A publicação causou a revolta de dezenas de pessoas, que passaram a responder o professor nas redes sociais.

A Banda B entrou em contato com a Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná (Assofepar), que lamentou a publicação. Para o presidente da entidade, coronel Izaías de Farias, a mensagem da postagem não reflete a atual realidade de serviços prestados pela corporação. “Ela não representa o que os militares estaduais fazem pela comunidade paranaense. Hoje temos, diariamente, dezenas de vidas salvas pelos militares estaduais, policiais e bombeiros, e a maioria dos atendimentos é elogiada. Lamentamos esse conteúdo, que não expressa a realidade”, disse.

Em viagem à Europa neste começo de ano, o professor envolvido na polêmica ainda não se posicionou de forma oficial sobre o ocorrido. O advogado dele, Antonyo Leal Junior, porém, condenou os supostos ataques que o professor passou a receber com o compartilhamento.

Leal atribuiu a polêmica ao atual momento político do Brasil. “O contexto político faz com que ele, professor universitário, seja mais perseguido que outras pessoas. Aquele ‘meme’ teve centenas de compartilhamentos e só ele está sendo perseguido, justamente pela profissão e por ter uma posição crítica na internet”, afirmou.

O advogado comenta que a critica não é generalizada e sim destinada a maus profissionais. “O avô dele foi guarda civil em São Paulo, assim como a mãe, que foi enfermeira na mesma corporação. Se fosse generalizada, a crítica seria destinada aos familiares”, garantiu.

Justiça

Com a polêmica, o caso deve entrar em uma disputa judicial. A Assofepar informou que o departamento jurídico da entidade vai buscar a reparação da honra a todos os profissionais ofendidos pela publicação. “Temos a obrigação de fazer a defesa desses heróis que colocam sua vida em risco para atender os paranaenses”, comentou o coronel Farias.

O advogado do professor também informou que está tomando medidas judiciais. “Por enquanto, estou acompanhando pessoas que fazem ameaças, injúrias ou difamação, que não são poucas. Infelizmente após a publicação, ele começou a receber algumas ameaças e ficou temeroso, vindo a apagar o post e algumas ameaças. Mas estamos fazendo prints e copiando perfis para proteger a honra dele”, concluiu Leal.