(Fotos: Antônio Nascimento – Banda B)

 

Policiais militares que realizam cerco na Ocupação Dona Cida, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), foram surpreendidos pela atitude de algumas crianças que moram na região. Durante as buscas pelo suspeito de matar o soldado Erick Norio, do 23º Batalhão, os pequenos se aproximaram dos PMs e entregaram cartinhas destinadas ao Papai Noel.

Nos textos, as crianças pediram coisas muito simples, como uma caixa de leite ou uma cesta de Natal. A ação emocionou os policiais, que não esperavam por uma abordagem dessas em um momento tão tenso.

“Aqui é uma região periférica, onde vivem pessoas de bem. Quando você vê uma criança se aproximar do Batalhão da PM para pedir uma caixa de leite, não tem como não se emocionar. Ainda mais na situação em que estamos, procurando pelas pessoas que mataram o nosso amigo. Mas os pequenos são puros, eles nem sabem o que está acontecendo. Para eles, o Natal é isso, é ter o que comer, ter um agasalho”, disse o tenente-coronel Hudson Teixeira, comandante do Batalhão de Operações Especiais (Bope), em entrevista à Banda B.

Segundo ele, os policiais devem ficar com as cartinhas e atender aos pedidos que conseguirem. Quem ficou feliz com essa notícia foi a pequena Júlia, de 11 anos, autora de um dos textos entregues aos PMs. “Eu escrevi que queria uma bicicleta de Natal e que a minha família não tem condições de comprar. Mas o que eles me derem já ajuda”, falou.

Júlia estava com a avó, Eliane Fátima Oliveira, quando foi conversar com os policiais. A mulher contou que ela e a filha, a mãe da menina, estão desempregadas e que a situação financeira da família é precária. “Nós estamos sempre correndo, levando currículo, mas é difícil. Eu vi os PMs ali e dei a ideia das crianças escreverem as cartas. Achei que seria uma boa oportunidade”, relatou.

Ajuda da população

Assim como as crianças pediram por ajuda, por outro lado, os policiais também precisam do auxílio da sociedade quando saem para trabalhar. “Na maioria das vezes as nossas abordagens não são simpáticas, mas pedimos que a população nos entenda e nos ajude. Claro que não somos perfeitos, mas os policiais, na maioria, são pessoas de bem, que saem com vontade de fazer o que é certo e podem não retornar para casa. Daqui a pouco nós vamos enterrar o nosso parceiro”, afirmou o coronel.

Ele ainda comentou que sabe das dificuldades que os moradores de ocupações enfrentam todos os dias. “Muitas vezes, as pessoas não estão em uma área de invasão porque querem. A maioria da população é humilde e, infelizmente, alguns marginais se aproveitam disso. É importante lembrar, no entanto, que tivemos policiais que morreram na região central de Curitiba e em áreas nobres. Para o Bope, aqui é um lugar de risco, mas não é o mais perigoso da capital”, finalizou.

Morte de soldado

O soldado Erick Norio foi morto no início da madrugada desta sexta-feira (7) enquanto atendia a uma reclamação de pertubação do sossego na Vila Corbélia. Ele foi atingido com dois disparos e morreu na UPA Barigui, após 40 minutos de tentativa de reanimação por parte da equipe médica.

A polícia faz buscas na CIC em busca do suspeito e não descarta a hipótese de emboscada, já que não havia nenhuma casa com som alto no local em que a equipe chegou para fazer o atendimento, na Estrada Velha do Barigui.