Ele tinha 66 anos, vivia em Curitiba desde o ano 2000, torcia para o Corinthians e era conhecido de todos no Alto da XV. Estamos falando de Antonio Celso Ezequiel, conhecido pelo apelido de “Azeitona”. A vida deste paulista que adotou Curitiba terminou na noite de sexta-feira (13). Ele foi atropelado quando voltava para casa no cruzamento das ruas José de Alencar e Fernando Amaro, no bairro em que era querido por todos. O motorista causador do acidente fugiu e se apresentou nesta segunda-feira (16) à polícia. Ficou em silêncio e foi liberado.

Antonio Ezequiel, o Azeitona, morreu atropelado – Reprodução redes

Imagens de câmeras de segurança mostram o exato momento do atropelamento. Azeitona atravessava na faixa de pedestres com o sinal fechado para ele. Um carro surge na terceira pista e o mata na hora.

O motorista se apresentou na Delegacia de Delitos de Trânsito (Dedetran), já fora do período do flagrante, acompanhado de um advogado. Segundo o o delegado Edgar Dias Santana, o condutor preferiu ficar em silêncio.

“Ele se apresentou após ser intimidado e exerceu o seu direito constitucional. Então, gente não pode apurar sobre a questão dele ter fugido do local. Talvez, em juízo, ele resolva se manifestar”, apontou.

Todos conheciam o Azeitona

Antonio, ou melhor, o Azeitona, era muito conhecido no Alto da XV e morava em uma casa nos fundos de um estacionamento em que trabalhava há 20 anos. Era vizinho de Barcímio Sicupira, o eterno camisa 8 do Athletico. “Conhecia o Azeitona há mais de 20 anos, viu meus filhos crescerem e sempre estava aqui em casa ajudando, consertando as coisas e falando do time do coração, o Corinthians. Ficou muito triste quando soube da morte dele. Não tinha quem não chamasse o Azeitona pra fazer serviços ou tomar um café. Muito triste”, contou Sicupira à Banda B.

Outro amigo, Victor Haygert, que é treinador de academia, disse que passou no local do acidente e só soube no dia seguinte que tratava-se do Azeitona. “Passei no local que estava isolado, com cones e a polícia, e nem imaginei que podia ser o Azeitona. No dia seguinte que minha vizinha contou que ele havia morrido ali. Fiquei arrasado. Uma pessoa simples, humilde, que sempre estava pronta a ajudar”, lamentou.

 

Foto: Marcelo Borges/Banda B

O acidente

Após acertar o idoso, o veículo Gol arrastou o corpo por mais de 50 metros. Em seguida, o motorista não prestou socorro e fugiu do local. No entanto, a placa da frente do carro caiu e foi encontrada pela polícia na cena do acidente. A Banda B teve acesso as imagens de uma câmera de segurança (veja ao clicar no link abaixo) que serão enviadas ao Instituto de Criminalística.

“A ideia verificar se é possível descobrir a velocidade que o veículo estava no momento da fatalidade. Também estamos aguardando os laudos do Instituto Médico Legal (IML)”, pontuou.

No fim, Santana afirmou que a polícia espera concluir as investigações nos próximos 30 dias. Mas, ressalta que ainda faltam elementos importantes para que o suspeito seja indiciado corretamente. “O inquérito está em fase avançada. Já escutamos três testemunhas, inclusive, testemunhas presenciais do fato. Ele pode responder pelo crime de homicídio culposo na direção de veículo automotor, com causa de aumento por ter omitido socorro e por ter se afastado do local para escapar da responsabilidade penal e civil”, concluiu.

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