O dono da joalheria, preso por ter atirado em um suspeito que fazia menção de tentar roubar o estabelecimento, conseguiu um alvará de soltura, às 20 horas desta quinta-feira (21). Ele estava detido desde a quarta-feira (20), mesmo dia em que a situação aconteceu. Os motivos da prisão, segundo a Polícia Civil do Paraná (PCPR), foram por posse ilegal de arma e fraude processual, já que o comerciante tentou esconder o armamento.

A situação aconteceu em uma joalheria na Galeria Lustoza, no final da tarde desta quarta-feira, na Rua XV de Novembro, no Centro de Curitiba.

Foto: Daniela Sevieri/Banda B

 

Na ocasião, um homem de 37 anos chegou ao local, sem arma de fogo, e entrou em luta corporal com o segurança. O dono do estabelecimento, por sua vez, estava no andar superior da loja, quando percebeu o que estava acontecendo e desceu com uma arma de fogo. O suspeito, então, avançou no comerciante e mais uma luta corporal se iniciou. Neste momento, o dono da loja atinge o suspeito com disparos da arma. A vítima não resistiu aos ferimentos e morreu no local.

“O histórico da ocorrência é que o rapaz entra na loja e insiste que os armários sejam abertos. Mas o segurança tenta contê-lo, ele entra em luta corporal com o suspeito, que se agarra em vários móveis. Neste momento, o dono da loja, que estava andar superior, desce com a arma de fogo e o suspeito avança nele, quando eles entram em luta corporal e acontece os disparos”, descreveu o delegado Rodrigo Brown, do Centro de Operações Policiais Especiais, o Cope.

O caso foi analisado no inquérito policial, pelo Ministério Público e Poder Judiciário. O advogado do comerciante entrou com um pedido de relaxamento da prisão, na Justiça, e teve a resposta positiva, conseguindo o habeas corpus do réu. Além disso, a Justiça entende que, quando se trata de réu primário, a pessoa não apresenta risco à sociedade.

Legítima defesa

Segundo Brown, a situação pode caracterizar legítima defesa. “Ele já foi vítima de alguns assaltos também. Tudo isso estava sendo levado em consideração. Ele tomou a atitude que qualquer pessoa que queira defender a família e patrimônio tomaria, apesar de estar errado com a procedência e ilegalidade da arma”, esclareceu.

“Os fatos concretos são a posse ilegal da arma e fraude processual. Agora a questão da legítima defesa nós vamos apurar, mas as imagens dão a entender que caracteriza isso”, disse Brown.

O segurança da loja foi autuado por fraude processual, pelo fato de ter sido determinado pelo dono a esconder a arma de fogo, mas teve fiança arbitrada e conseguiu liberdade nesta quinta-feira (21).

O suspeito não estava armado e, segundo Brown, não tinha passagens policiais por crimes patrimoniais. “Pequenos registros de desacato, acionamento de polícia, perda de documentos, mas nada grave. Suspeitamos que poderia ser um usuário de drogas ou aquele tipo que faz o “cavalo louco”, que pega algo e sai correndo”, completou.

Arma de fogo

O delegado ressalta que o porte legal de arma de fogo é lei e deve ser cumprida.”A lei é para ser cumprida. Todos têm a possibilidade de possuir arma de fogo, desde que sigam o que a legislação determina, compre uma arma registrada e façam os exames que a Policia Federal exige, para ter o direito de possuir a arma no estabelecimento comercial”, advertiu.