A despedida de Alci Rosa de Oliveira, de 70 anos, reuniu familiares, amigos e colegas de profissão na manhã desta sexta-feira (14) no Cemitério da Água Verde, em Curitiba. O motorista de transporte executivo morreu no hospital após ser atropelado durante uma discussão com um morador de um prédio no último domingo (9), na Rua Francisco Torres, no Centro. Os conhecidos da vítima prestaram homenagens e fizeram um apelo para que o caso não fique impune.

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Alci Rosa de Oliveira morreu no hospital após ser atropelado. Foto: Arquivo Pessoal

Entre as manifestações, os representantes da categoria reforçaram que o atropelamento foi injustificável e que o suspeito agiu de forma desproporcional.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas do Paraná, Djalma Rodrigues, Alci não ofereceu risco algum ao morador que o atropelou.

“Ficamos revoltados da forma que tudo aconteceu, porque aonde ele estava parado é um local permitido parar. Não é permitido estacionar, mas ele estava ali para o embarque e desembarque da passageira. O jovem saiu, encostou no carro e alegou que ficou com medo, mas ele [Alci] saiu com as mãos para cima. Não tinha motivo para fazer aquilo que ele fez. A categoria está de luto, muito triste, e a gente precisa sim pedir justiça, porque não pode ficar impune. Ali foi um assassinato, ele não teve direito de defesa. As imagens mostram tudo e esta pessoa precisa pagar pelo crime que cometeu”

afirmou Rodrigues à Banda B.

Além de pedir justiça, o presidente do sindicato ressaltou a longa trajetória profissional de Alci.

“Ele entrou no táxi em 19 de agosto de 1976. Em 2026 completaria 50 anos de profissão. Cinquenta anos. E infelizmente agora, com 70 anos, acabou sendo morto dessa forma trágica que deixa a categoria revoltada”

complementou.

Já o diretor-presidente da Associação Rádio Táxi Faixa Vermelha, Edegard Borges Oliveira, reforçou que nada justifica a reação do suspeito e que a vítima apenas trabalhava quando foi atingida.

“O senhor Alci trabalhava com a gente há alguns anos. Não tem motivo, é algo que deixa todo mundo indignado. Ele estava trabalhando num domingo em que não tinha trânsito, absolutamente nada que justificasse. Ele [o suspeito] falou que ficou com medo para o delegado. Medo do quê, se ele estava com as mãos e os braços abertos? Tudo que a gente quer é uma justiça que seja feita da melhor forma possível e que as autoridades não deixem esse caso cair no esquecimento”

declarou Oliveira.

A Banda B entrou em contato com a Polícia Civil do Paraná (PCPR) para obter mais informações sobre as investigações e aguarda retorno.

Câmeras de segurança flagraram o crime

Imagens de câmeras de segurança registraram toda a dinâmica do caso. Alci havia parado o carro em frente a uma garagem, na guia rebaixada, para desembarcar um passageiro. Na sequência, o morador do prédio deu marcha à ré e atingiu o para-choque traseiro do veículo do motorista executivo.

Em seguida, Alci desceu do carro para verificar o dano e tentar conversar com o rapaz, que acelero o veículo e atravessou a rua com o idoso ainda em cima do capô. Segundos depois, a vítima caiu e bateu a cabeça com força no meio-fio. O motorista responsável pelo atropelamento fugiu do local.

Alci foi encontrado inconsciente e levado ao hospital em estado grave, mas não resistiu aos ferimentos.