Um frentista de um posto de combustíveis no bairro Novo Mundo, em Curitiba, sofreu um ataque de uma cliente armada com um facão, durante o trabalho na última quarta-feira (7). A Banda B teve acesso às imagens, nesta segunda-feira (12), que mostram o trabalhador sendo perseguido pela motorista (veja abaixo), mas também ao boletim de ocorrência (BO) feito por ele no 8º Distrito Policial (DP). O caso é tratado pela polícia como crime de ameaça.

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Cliente ataca frentista com facão em posto de Curitiba. Foto: Reprodução/Colaboração Banda B

O trabalhador, que não será identificado, concedeu entrevista à Banda B e detalhou o que aconteceu. Segundo ele, tudo começou no momento em que a mulher chegou ao posto e pediu para colocar R$ 100 de gasolina comum. Ela parou com o carro em frente a uma bomba que, conforme dito pelo frentista, estava estragada. Ele pediu para a condutora trocar de bomba.

Ela não quis. Disse que já tinha desligado o carro e não ia por, que ela não era minha funcionária, e eu não mandava nela. Depois disso, comentei para ela aguardar um pouco porque eu usaria o bico do lado. Dai, ela aguardou. Foi dentro da conveniência, voltou, só que ela tinha pedido R$ 100 de gasolina. Fui falar com o meu colega de serviço para me dizer [o valor do reabastecimento], que eu não estava tendo a visão do valor do outro lado.

iniciou.

A tensão começou a aumentar no momento em que a mulher teria alegado que, ao invés dos R$ 100 mencionados pelo frentista, o valor correto seria de R$ 80. Nesse momento, a cliente já teria entrado e saído da loja de conveniências.

O trabalhador foi mais longe e destacou que, por sorte, enquanto reabastecia e ouvia o relato da motorista, o valor ainda não havia ultrapassado os R$ 80, que teriam sido mencionados por ela.

Ela começou a fazer um escândalo falando que não iria pagar os R$ 100. Foi quando eu falei que não havia passado dos R$ 80 e, se tivesse passado, não teria como eu pagar porque estava dentro do carro. Eu tenho certeza de que ela tinha pedido esse valor [R$ 100]. Ela falou que faria uma reclamação lá dentro, mas meu gerente estava em reunião.

continuou.

Trabalhadores tentam acalmar a motorista, mas o clima esquenta

Depois que ouviram as intenções da mulher, o denunciante e outro colega tentaram acalmá-la. Ambos disseram para ela aguardar o tempo da reunião, que já estaria acabando, para que a motorista conversasse com o gerente.

Neste momento, conforme é descrito no BO que a Banda B teve acesso, a motorista teria xingado o frentista de “lixo e liso”, além de ter dito que o trabalhador “estava cumprindo horário no serviço”. Ao perceber que a situação caminhava para algo pior, o frentista resolveu agir para tentar apaziguar o momento.

Disse que pedi com educação para ela por o carro em outra bomba, que não havia necessidade dela fazer isso. Na hora em que falei isso, ela começou a me xingar, a me xingar. Um cliente que estava lá falou para eu deixar quieto, (…) por mais que eu tenha tentado falar com ela. Eu peguei, dei as costas para ela e fui para o outro lado da bomba. (…) Ela foi para dentro do carro (…), pegou um facão e disse isso quando desceu.

destacou.

As frases abaixo estão destacadas em BO:

Olha o que eu tenho dentro do carro para vagabundo igual você; você acha que eu tenho medo de você; eu arranco sua cabeça fora e faço rolar sua cabeça pelo chão; você é um lixo e liso.

texto destacado em BO.

No documento, ainda é dito que a mulher teria chegado a pôr o facão contra o pescoço do trabalhador. As imagens mostram as situações abaixo, até o momento em que outros frentistas e clientes vão até os dois para tentar separá-los.

Peguei e saí de perto, fui chamar meu gerente. Mas peguei meu celular e já gravei ela, falei que filmaria a placa do carro. No momento em que fui gravar, ela pegou e me respondeu: “Quer uma pose para postar na RPC?”

falou.

Tensão e medo

No fim, o denunciante lamentou todo o episódio que viveu na última semana. O caso aconteceu por volta das 16h, algo que o fez sentir medo até o fim do expediente, visto que poderia sofrer alguma forma de retaliação ou ameaça durante o resto da noite. Ele saiu às 21h do posto de combustíveis.

Após denunciar o caso à polícia, o homem espera justiça.

Eu fiquei com medo, depois. Me senti ameaçado. O caso aconteceu por volta das 16h, eu iria até as 21h. “Para mim, na verdade, foi uma tentativa de homicídio”. Para ser bem sincero, eu espero que a justiça seja feita. A gente é trabalhador e isto vem acontecendo com frequência com a gente que é frentista. Eu nunca vi isso. Acontecendo comigo, mas poderia ser com qualquer pessoa.

finalizou.

Veja as imagens, abaixo:

Espaço Banda B – outro lado

O espaço da Banda B está aberto ao outro lado desta história acontecida em um posto de combustíveis em Curitiba. Esta reportagem pode ser atualizada a qualquer momento.

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Cliente ataca frentista com facão em posto de Curitiba: “Arranco sua cabeça fora e faço rolar pelo chão”; vídeo

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