A Divisão Estadual de Combate à Corrupção (Decor) cumpriu sete mandados de busca e apreensão, na manhã deste sábado (22), durante operação de combate a fraudes em licitações para prestação de serviço de limpeza urbana em Curitiba. De acordo com as investigações, cinco empresas de uma mesma família simulavam uma falsa competição para minar adversários e garantir a contratação por parte da administração municipal.

Foto: Divulgação Polícia

Em entrevista à Banda B, o delegado Marcos Pestano explicou que a investigação começou após uma denúncia ao Ministério Público do Paraná (MP-PR). “Com a informação, chegamos até um contrato firmado em 2018. O que pudemos apurar é que eles participavam da concorrência com diversos CNPJs diferentes, simulando concorrer entre si, mas eventualmente declinavam em favor do outro. Isso acabava impedido a entrada de outras empresas, já que tinham muito mais chance de ganhar”, explicou.

As cinco empresas faziam parte de um mesmo grupo econômico e familiar, sendo comandadas por três irmãos e dois sobrinhos. Todas elas estavam sediadas em um mesmo local, em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Além da família, a polícia cumpriu dois mandados de busca e apreensão contra duas funcionárias das empresas.

O contrato de 2018 é de execução anual estimado em R$ 3,5 milhões. Em dois anos, as empresas já teriam recebido cerca de R$ 6 milhões. “A operação visa apreensão de documentos e eletrônicos, para que possamos identificar a recorrência da fraude. Apreendemos também dois veículos de alto valor, um Audi e uma Pajero, além do bloqueio de R$ 6 milhões para ressarcimento dos cofres públicos”, disse Pestano.

Divulgação Polícia Civil

Além do bloqueio financeiro, a Justiça impediu que as empresas voltem a fazer contratos com a administração municipal.

Prefeitura

Em nota, a Prefeitura de Curitiba informou que colabora com as investigações. “Todas as documentações e informações solicitadas ao município foram apresentadas para que a Polícia Civil prossiga com o inquérito”, informou.

Os empresários devem agora responder pelos crimes de fraude à licitação e associação criminosa, com penas de até sete anos de prisão, além de multa.