O chefe de uma organização criminosa alvo de uma grande operação no bairro Parolin, em Curitiba, na manhã desta sexta-feira (24), pode ser o mandante do assassinato de pai e filho ocorrido em março deste ano, em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana. O suspeito, conhecido como “Rajada”, foi preso em Maceió, em Alagoas, de onde, segundo as investigações, comandava à distância o tráfico de drogas na capital paranaense.

De acordo com a polícia, a organização criminosa travava uma disputa pelo domínio do tráfico de drogas no bairro Parolin desde 2024. O conflito envolvia dois grupos rivais e resultou em uma sequência de homicídios e tentativas de assassinato. As vítimas, segundo a investigação, eram integrantes do grupo rival. Os sobreviventes teriam sido expulsos da região sob ameaça de morte.
Execução de pai e filho
Entre os crimes investigados está o assassinato de Nixon dos Santos Benites, de 36 anos, e do filho dele, Ryan, de 17, mortos a tiros em frente a um mercado em Almirante Tamandaré.
As vítimas estavam dentro de um carro quando foram surpreendidas por criminosos armados. Pai e filho morreram no local, e duas mulheres que também estavam no veículo ficaram feridas. A polícia acredita que o duplo homicídio esteja diretamente ligado à disputa entre os grupos criminosos.
Um dos integrantes da organização, com participação comprovada no crime, foi preso nesta quinta-feira (23) em Florianópolis, Santa Catarina, após ficar foragido desde a execução.
Liderança atuava fora do estado
Segundo o delegado Ricardo Casanova, da PCPR, o chefe do grupo deixou o Paraná após alegar ameaças de morte e conseguiu transferir o cumprimento de pena para Maceió. Sem monitoramento eletrônico, ele passou a viver em regime domiciliar e, mesmo à distância, continuou comandando a organização criminosa.
“O afastamento geográfico serviu como um escudo para que ele coordenasse o tráfico remotamente, delegando o gerenciamento no Parolin a outros integrantes”, explicou o delegado.
Esquema milionário de lavagem de dinheiro
As investigações também revelaram um esquema de lavagem de dinheiro. Entre 2018 e junho de 2025, o grupo movimentou cerca de R$ 30 milhões.
Os valores eram fracionados em depósitos menores para evitar a identificação pelas autoridades e circulavam por diversas contas bancárias até chegar aos líderes em Alagoas, muitas vezes em nome de familiares.
Além disso, integrantes da organização no Paraná pagavam diretamente despesas das lideranças, incluindo aluguel de imóveis de alto padrão e mensalidades escolares elevadas para familiares.
Empresas de fachada também eram utilizadas para dar aparência legal ao dinheiro obtido com o tráfico de drogas.
A operação deflagrada nesta sexta-feira cumpriu mandados no Paraná, Santa Catarina e Alagoas. Ao todo, 11 pessoas foram presas, incluindo familiares e integrantes próximos da cúpula do grupo.
Também foram apreendidos veículos, dinheiro em espécie e diversos dispositivos eletrônicos que serão analisados. Durante a ação, um suspeito morreu em confronto com a polícia.
📲 Não perca nenhuma notícia! Siga o Instagram da Banda B e receba as atualizações direto no seu feed. Clique aqui!