O Delegado Matheus Laiola, da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente, em Curitiba, esclareceu detalhes do resgate de 19 cães da raça pit bull que era usados em uma rinha internacional. Na ocasião, 40 pessoas foram presas, entre elas médicos, veterinários, um policial militar, cinco estrangeiros e alguns adolescentes. O grupo se reunia no município de Mairiporã, localizado na Região Metropolitana de São Paulo, para a prática criminosa.

“Encontramos uma cena muito chocante. No momento que entramos no local, estava acontecendo um duelo entre dois cachorros, tinha um americano da Califórnia que era o juiz. Nós ficamos desesperados para soltar, o americano não conseguia, os cachorros estavam grudados. O juiz começou a bater em um dos cães para tentar soltar. Uma cena de terror, eu tenho 13 de polícia e nunca tinha visto nada igual aquilo. Tinha cachorro morto, machucado”, descreveu.

Fotos: Divulgação/PCPR

 

O delegado ainda disse que, quando a polícia chegou ao local, não tinham percebido que estava tendo churrasco. Na verdade, um cachorro estava sendo assado para servir aos participantes do evento criminoso. “Parecia um ritual macabro que eles estavam fazendo. Quando a médica veterinária chegou perto, disse que era um cachorro, ou seja,  eles estavam assando o animal para se alimentarem. Tem que ter o sangue muito frio para agir de maneira isenta a imparcial, porque a revolta ali era geral”, disse.

Os cães estavam extremamente machucados, mas nenhum precisou passar por eutanásia. “Tinha cão com a perna quebrada, muito mal de saúde, mas na hora eles começaram a ser tratados. Eles estavam passando fome e sede, porque tinham que ficar estressados para a luta. Quando a gente dava um pouco de comida e água, eles ficavam desesperados. Muito triste, eu falo, lembro e ainda me emociono.”, relatou Laiola.

O criador morava no bairro Capão da Imbuia, na capital, e o treinador em São José dos Pinhais, região metropolitana de Curitiba. “Soubemos o dia que seria o evento e começamos a monitorar o veículo do suspeito. Eles pararam em Mairiporã, desconfiamos que seria ali. Ouvimos latidos e então pensamos “bingo”. Achamos”, contou o delegado.

A Polícia Civil do Paraná (PCPR) solicitou apoio dos policiais civis de São Paulo para deflagrar a ação. Os presos foram encaminhamos para a Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente da PCSP e devem responder por associação criminosa, maus-tratos contra animais com agravante de morte e jogo de azar.

Cães selecionados

A Polícia Civil de São Paulo apreendeu R$ 47 mil no local, mas os valores exatos do quando a rinha custava ainda não foi divulgado. “Acreditamos que sejam valores altos, estima-se cachorro avaliado em aproximadamente R$ 200 mil, selecionados geneticamente e treinados para isso. Dificilmente um cão desse volta a ter convívio com outros animais. São cães extremamente dóceis, mas se colocar outro do lado, eles se matam”, completou Laiola.

O delegado disse que o grupo era extremamente organizado e utilizava camisetas com o nome do evento e pesagem dos animais. “Um duelo internacional. Eles faziam apostas onlines, além das pessoalmente, para causar um intenso sofrimento à esses animais”, finalizou.