A operação deflagrada pela Polícia Civil do Paraná (PCPR) e pela Polícia Penal do Paraná (PPPR), na manhã desta quarta-feira (20), revelou detalhes de um esquema milionário de entrada de celulares e drogas em presídios do estado. Segundo a investigação, um único aparelho chegou a ser vendido por até R$ 80 mil dentro de presídios paranaenses.

A ação cumpriu mandados em Curitiba, Região Metropolitana e Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Até o momento, quatro pessoas foram presas — três homens e uma mulher grávida — suspeitas de participação no esquema criminoso.
De acordo com a polícia, os investigados eram monitores terceirizados do sistema prisional e facilitavam a entrada de celulares e entorpecentes para presos ligados ao crime organizado.
“Estavam alimentando o crime organizado”, diz delegado
Em entrevista ao repórter Tiago Silva, da Ric RECORD, o delegado Rodrigo Brown Oliveira, do Centro de Operações Policiais Especiais (COPE), afirmou que os suspeitos deveriam atuar na segurança das unidades, mas acabaram cooptados por facções criminosas.
“Pessoas que trabalhavam, deveriam estar prestando serviço para melhorar a segurança, para cuidar de detentos, estavam colaborando com o crime, propiciando que marginais permanecessem nas atividades criminosas dentro das unidades”
afirmou o delegado;
Segundo o delegado, a investigação faz parte de uma nova linha de atuação voltada ao combate ao crime organizado e à infiltração de criminosos em órgãos públicos e forças de segurança.
Grupo chamado “Os Inocentes” foi descoberto durante investigação
A apuração começou após a apreensão de um celular na Casa de Custódia de São José dos Pinhais, no fim de 2024. A partir da extração de dados do aparelho, a Polícia Civil identificou uma organização criminosa responsável pela logística de entrada dos celulares.
O delegado Thiago Andrade explicou que os envolvidos mantinham um grupo de mensagens chamado “Os Inocentes”, que reunia presos, pessoas fora do sistema prisional e monitores terceirizados.
“Infelizmente, pessoas que estavam ali para prestar um serviço público foram captadas pelo crime e estavam facilitando a entrada desses aparelhos celulares dentro do presídio”, disse.
Polícia acredita que até 100 celulares entraram em presídios no Paraná
Durante a operação, foram apreendidos armamentos, coletes balísticos e outros materiais considerados irregulares em endereços ligados aos investigados.
A suspeita é que o esquema tenha movimentado milhões de reais. Conforme relatado à Ric RECORD, a Polícia Penal estima que ao menos 100 celulares possam ter sido introduzidos em unidades prisionais nos últimos tempos.
Detento com mais de 80 anos de condenação seguia comandando crimes
A investigação também apontou que detentos continuavam comandando crimes de dentro das unidades prisionais graças ao acesso aos celulares.
Segundo a polícia, um dos presos investigados possui mais de 80 anos de condenação e seguia coordenando o tráfico de drogas de dentro da cadeia.
“Presos que deveriam estar cumprindo pena continuavam planejando homicídios, coordenando tráfico e até atentados. Esse tipo de infiltração representa um grande risco para toda a sociedade”
afirmou Rodrigo Brown Oliveira.
A investigação continua para identificar outros possíveis envolvidos e verificar se há participação de mais servidores ou terceirizados em outras unidades prisionais do Paraná.
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