Três meses após a descoberta de uma ossada a poucos metros da casa onde Sandra Mara da Silva Camargo morava, em Pontal do Paraná, no litoral do Estado, a família da cozinheira ainda não sabe se os restos mortais são dela. O material foi encontrado em 20 de agosto, mas até esta quarta-feira (26), a Polícia Científica não apresentou o resultado do exame de DNA.
A cozinheira desapareceu em 13 de dezembro de 2024, como mostrou a Banda B à época. Para a polícia, ela foi morta pelo namorado, Aleandro Lourenço de Barros, de 33 anos, com quem mantinha um relacionamento havia quatro anos. Ele está preso preventivamente desde fevereiro, após apresentar versões contraditórias e não comunicar o sumiço da companheira a ninguém, embora dividisse a casa com ela.

Ele foi denunciado pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR) por feminicídio majorado – pelo uso de meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima – e ocultação de cadáver. Uma testemunha relatou que ouviu uma discussão, gritos de socorro e frases atribuídas à vítima indicando que teria sido ferida com uma faca. As informações são da Ric RECORD.
“Eu escutei puxando a gaveta, entendeu. No meu ponto de vista, quando ela puxou a gaveta, acho que ela puxou a faca pra dar de dedo. Daí, ela pegou e deu um grito feio e falou que ele tinha dado uma facada nela: ‘Você me matou cara! Aí a facada que você me deu!’ Ela estava pedindo socorro. Aí ela começou a pedir pra chamar o Samu”, narrou a testemunha, em depoimento.
A ossada localizada em agosto estava enterrada a cerca de 50 metros da casa do casal. No mesmo ponto, foram recolhidos objetos pessoais e roupas que, segundo a família, pertenciam à cozinheira. Para o advogado que acompanha o caso, Leonardo Mestre, os elementos encontrados reforçam a suspeita de que o material seja de Sandra, mas a confirmação depende exclusivamente do laudo pericial.

“Nós temos hoje, dentro da investigação, um relato de uma amiga da Sandra Mara, em que ela havia confessado uma ocasião de ciúmes. Existem elementos e indícios que apontam que seja o corpo dela: as roupas que foram encontradas, os objetos pessoais que estavam junto na mesma cova e também a proximidade da casa”, afirmou Mestre ao repórter da Ric RECORD Ricardo Pereira.
A demora prolonga a angústia de Any Karoline, filha da cozinheira. Ela contou que estranhou o comportamento do namorado da mãe logo nos primeiros dias após o desaparecimento. “Quando entrei em contato com ele, disse que na sexta-feira [dia do crime] estava pescando no meio do mato. Isso já me trouxe algo. Minha mãe nunca ficou sem falar comigo, com os netos. Quando a gente encontra a ossada e pensa que vai trazer 1% de alívio, começa outra espera”, desabafou.
Em nota, a Polícia Científica informou à Banda B que o exame de DNA está em andamento e que o procedimento é mais complexo, exigindo tempo maior de processamento. Um familiar de Sandra forneceu o material genético necessário para comparação. Não há previsão para a conclusão do laudo.