Câmeras instaladas sem autorização ou em locais irregulares foram retiradas nesta sexta-feira (30) durante uma operação das forças de segurança no bairro Parolin, em Curitiba. A ação foi deflagrada após tiroteios e confrontos entre facções rivais nos últimos dias.

Coordenada pela Secretaria da Segurança Pública do Paraná (Sesp-PR), a operação mobilizou as polícias Militar e Civil, Copel e o Ministério Público, com foco na remoção de equipamentos de vigilância que haviam sido instalados em áreas públicas. De acordo com o governo, os dispositivos eram usados, em alguns casos, para monitorar a entrada da polícia e de grupos criminosos rivais.

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Tensão entre facções no bairro tem escalado nos últimos dias — Foto: Divulgação/Sesp-PR

“Quem pode monitorar as vias públicas são apenas as forças de segurança e a prefeitura. Nós não vamos deixar que esse tipo de coisa tenha um fortalecimento na nossa capital. Não podemos permitir que existam locais onde a polícia não entre, onde as pessoas de bem são reféns dos bandidos. No Parolin, tem muita gente trabalhadora que acaba ficando reféns de pessoas envolvidas com crimes”, afirmou o delegado Rodrigo Brown, do Cope (Centro de Operações Policiais Especiais).

De acordo com o delegado, também há relatos de tentativas de extorsão a moradores por meio de ligações falsas, aproveitando do clima de medo gerado pelos conflitos.

O comandante-geral da PM, coronel Jefferson Silva, explicou que o trabalho não se limita à retirada das câmeras: “Teremos vários bloqueios a partir de hoje. Essa ação é mais contundente e específica, com parceria entre as polícias e a Copel, justamente para verificar e remover os pontos com equipamentos irregulares.”

O secretário de Segurança Pública, Hudson Leôncio Teixeira, reforçou que as câmeras retiradas nesta primeira fase estavam instaladas sem procedência e que, em um segundo momento, o próprio governo vai instalar equipamentos para monitorar áreas de risco. “Marginais se utilizavam dessa tecnologia para monitorar tanto a entrada da polícia quanto de gangues rivais”, disse à Banda B.

BBB do crime

Facções que atuam no bairro Parolin criaram um sistema de monitoramento robusto na região para analisar a movimentação das forças de segurança e de organizações criminosas rivais. A descoberta aconteceu poucos dias após moradores presenciarem um tiroteio no local. Uma das balas atingiu o prédio do Tribunal Regional Eleitoral (TRE), no bairro Prado Velho, e acertou uma servidora de raspão.

No último dia 22, durante uma ação do Cope, três homens foram detidos e encaminhados para delegacia. Um deles, de nome Jonathan, usava tornozeleira e foi encontrado com uma pistola 9 mm, com as mesmas características das utilizadas no tiroteio.

De acordo com a polícia, os outros dois suspeitos foram levados para delegacia porque não portavam documentos e se “assemelhavam muito” aos criminosos que efetuaram os disparos durante o confronto.

De acordo com o secretário de Segurança, há um trabalho intenso para identificar as facções que estão atuando no bairro Parolin.