O Brasil registrou 61.619 mortes violentas intencionais, como assassinatos, em 2016, maior volume absoluto já registrada no País.

São 171 casos por dia e um crescimento de 3,8% em relação a 2015, chegando a uma taxa de 29,9 por 100 mil habitantes. Os dados divulgados nesta segunda-feira, 30, são do 11° anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

“É como se o Brasil sofresse um ataque de bomba atômica por ano. São dados impressionantes, que reforçam a necessidade de mudanças urgentes na maneira como fazemos políticas de segurança pública no Brasil. Não é possível aceitar que a sociedade conviva com esse nível de violência letal”, diz Renato Sérgio de Lima, diretor-presidente do Fórum.

As maiores taxas foram registradas em Sergipe (64 a cada 100 mil habitantes), Rio Grande do Norte (56,9) e Alagoas (55,9).

Testemunhas disseram à polícia que o motociclista e o garupa pararam a moto e fizeram vários disparos contra o grupo que assistia a uma partida de futebol Foto: Reprodução Google Street View

Mortos no interior de SP

 

Para aumentar as estatísticas, dois homens em uma moto descarregaram as armas contra um grupo que estava num campo de futebol, no fim da tarde deste domingo, 29, em Cruzeiro, no Vale do Paraíba, interior de São Paulo.

Seis pessoas foram atingidas pelos disparos. Duas das vítimas, Deilton de Carvalho, de 31 anos, e Ederson Allef Pereira, de 23, morreram. Das outras quatro pessoas baleadas, duas permaneciam internadas na manhã desta segunda-feira, 30, na Santa Casa local

Testemunhas disseram à polícia que o motociclista e o garupa pararam a moto e fizeram vários disparos contra o grupo que assistia a uma partida de futebol, no bairro Nova Cruzeiro.

As pessoas que estavam no entorno do gramado saíram correndo. Em seguida, o homem que pilotava a moto arrancou, deu uma volta e retornou com o comparsa para fazer novos disparos contra as vítimas. Conforme uma testemunha, os atiradores tiveram tempo para recarregar as armas, antes de fugir. Eles usavam capacetes, o que dificultou a descrição dos suspeitos.

De acordo com o delegado Sandro Henrique Franqueira Ramos, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), o ataque pode estar relacionado com disputa por pontos de tráfico de entorpecentes, pois algumas das vítimas tinham passagens pelo crime. No caso de Deílton, além de tráfico, ele já respondera a processo por roubo O delegado disse que a investigação já identificou possíveis suspeitos dos crimes, mas não poderia dar detalhes para não prejudicar a apuração.

De janeiro a setembro deste ano, Cruzeiro registrou nove mortes por homicídio doloso, mais que o dobro que no mesmo período de 2016, quando foram quatro. Em agosto último, homens de moto atacaram uma casa à margem da Rodovia Avelino Junior (SP-52). Três pessoas foram baleadas e duas – um segurança de 46 anos e uma adolescente de 16 – morreram. Uma jovem de 22 anos foi atingida por quatro tiros, mas sobreviveu.