O advogado Nilton Ribeiro, que atua na assistência de acusação do Caso Daniel, fez um pedido à Justiça de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, para que Allana Brittes volte para a prisão. No pedido, protocolado nesta sexta-feira (7), ele alega que a jovem descumpriu duas medidas cautelares impostas pela juíza Luciani Regina Martins de Paula. A defesa de Allana nega o descumprimento e afirma que uma “mentira” está sendo usada para “conturbar” o processo.

Foto anexada ao processo mostra Allana no Litoral de Santa Catarina (Reprodução)

No pedido, Ribeiro cita duas fotos postadas por Allana nas redes sociais, sendo uma delas tirada em Porto Belo, no Litoral de Santa Catarina.

“Dentre esses compromissos está o de proibição de acesso ou frequência a bares e casas noturnas. Ocorre que a Ré tem sistematicamente ignorado essas proibições e frequentado bares na capital paranaense (…) Outra proibição é a de ausentar-se da Comarca sem autorização judicial. Todavia, mesmo com a proibição, a Ré esteve em Santa Catarina, na localidade de Porto Belo”, afirma a assistência de acusação no pedido.

Allana deixou a prisão em agosto, após ter a concessão unânime de habeas corpus pela 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Entre as medidas cautelares impostas a ela está o comparecimento periódico bimestral em juízo; a proibição de acesso ou frequência a bares e casas noturnas; a proibição de manter contato com testemunhas e demais partes do processo; e proibição de ausentar-se da região metropolitana de Curitiba.

A jovem responde pelos crimes de fraude processual, corrupção de menores e coação no curso do processo que investiga a morte do jogador Daniel Corrêa Freitas.

Outro lado

Advogado de defesa de Allana, Claudio Dalledone rebateu as acusações. “Isso tudo é mentira, é um grande frenesi, já que a Allana cumpre rigorosamente todas as determinações judiciais. Eles juntam duas fotografias que fazem parte do passado, uma em um centro gastronômico, que nada tem a ver com bar, e outra do passado, que a legenda indica que foi tirada em 2018. Nós estamos buscando a liberdade de Edison Brittes e tudo isso é um jogo de cena para conturbar a boa condução. Tenho certeza que a juíza vai rechaçar o pedido, uma vez que as questões são inverídicas”, disse.

Com o questionamento da reportagem, a defesa enviou um print do celular da Allana em que mostra a data que a foto teria sido tirada:

Reprodução

O caso

O jogador Daniel Corrêa Freitas foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, foi assassinado após participar da festa de aniversário de 18 anos de Allana em uma boate de Curitiba. Depois da comemoração, alguns convidados seguiram para a casa da garota, incluindo Daniel, em São José dos Pinhais.

Na residência, o pai de Allana, Edison Brittes, iniciou uma sessão de espancamento contra Daniel após ter visto o jogador em seu quarto, onde sua mulher Cristiana Brittes dormia. O atleta apanhou de vários homens até ser levado de carro por Edison, David William Vollero Silva, Eduardo Henrique Ribeiro da Silva e Ygor King até a Colônia Mergulhão.