Após mudar de versão e afirmar que orientou o casal dono do apartamento sobre os riscos de explosão, o técnico de impermeabilização da empresa Impeseg, Caio Santos, será indiciado pela Delegacia de Explosivos, Armas e Munições (Deam). Para o delegado Adriano Chohfi, há indícios de que Caio mentiu em seu depoimento prestado à polícia, já que ele não se confirmaria por nenhum outro ponto do inquérito. Nesta sexta-feira (26), o casal dono do apartamento do bairro Água Verde voltou a ser ouvido pela Deam no Hospital Evangélico.

(Foto: Djalma Malaquias – Banda B)

Em entrevista à Banda B, Chohfi afirmou que vários pontos não dão credibilidade ao fato de que Caio teria prestado as informações de segurança para o casal. “A mãe de Gabriel [de Araújo] disse que a família do Caio a procurou no hospital para dizer que ele estava arrependido, já que não sabia que a explosão poderia acontecer. Então, o Gabriel disse que achou muito estranha essa mudança de versão do Caio. Eu novamente perguntei para o casal se o técnico checou se as janelas estariam abertas, já que teria dado as informações, e foi negado pelos proprietários que ele estivesse preocupado com qualquer tipo de segurança”, disse.

A mudança de versão de Caio teria acontecido às vésperas de seu depoimento. Em áudio anterior, que tramita no processo, ele afirmava que não sabia dos riscos de utilizar o produto de impermeabilização. “Vi as entrevistas e reportagens e pode ficar tranquilo doutor. Pode montar a defesa e é o seguinte doutor: eu não tinha ciência de nada mesmo. Pô, palhaçada… estão querendo me incriminar… agora não consigo falar direito doutor, mas quando estiver apto chamo pra gente conversar”, disse Caio em áudio que a Banda B teve acesso.

Na Deam, Caio agora deve ser responsabilizado pelo crime, juntamente com Bruna Formankuevisky Lima Porto Correa e José Roberto Porto Correa, por homicídio, explosão e lesão corporal.

Casal fala novamente

No Hospital Evangélico, Raquel Lamb e Gabriel de Araújo mantiveram a versão de como tudo teria ocorrido. Segundo a advogada Rafaela Munhoz da Rocha Lacerda, o delegado fez questionamentos mais específicos por causa do depoimento de Caio, mas que o teor não foi alterado. “O depoimento dele [Caio] contraria o bom senso, porque se tivesse feito a orientação, a explosão não teria acontecido. Se tivesse de fato o conhecimento, deveria ter feito a orientação. Para mim, parece mentira o que o Caio falou”, disse.

A defensora afirma que o casal está se recuperando bem e que Gabriel pode receber alta nos próximos dias.

Caso

A explosão aconteceu na Rua Dom Pedro I, no bairro Água Verde. Mateus Lamb, de 12 anos, foi lançado para fora do apartamento, no sexto andar, e foi parar no térreo. Ele chegou a ser socorrido com vida ao Hospital do Trabalhador, mas os ferimentos eram graves e o garoto morreu. O casal mora no imóvel e tinha recém se casado, há quatro meses. O irmão caçula estava no apartamento da irmã, em outro cômodo, quando houve a explosão.