Após morte de paciente na porta de UPA, funcionários terão que se explicar na polícia


Por Luiz Henrique de Oliveira

A morte de Maria da Luz Chagas dos Santos, de 37 anos, caso relatado em primeira mão pela Banda B e que repercutiu nacionalmente, será investigado pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), que apura se houve omissão de socorro. Com dores no peito, Maria da Luz morreu ao buscar atendimento na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Fazendinha, em Curitiba, na noite de terça-feira (23). Funcionários da UPA serão ouvidos na DHPP e podem ser responsabilizados criminalmente e inclusive ser afastados do cargo.

Maria da Luz morreu aos 37 anos (Foto: Arquivo Pessoal)

O marido de Maria, José Vilson dos Santos, ouvinte e leitor da Banda B, foi quem procurou a reportagem ontem para falar sobre o que tinha acontecido. De acordo com a Polícia Civil, o viúvo já foi ouvido e relatou que Maria morreu porque não recebeu o devido atendimento.

“Ela fez a triagem, a gente estava esperando, mas como ela estava com muita dor, a gente levantou e estava indo comprar um remédio para ela na farmácia ali na frente, mas não deu, ela morreu”, descreveu o marido em entrevista à Banda B.

A Polícia Civil vai pedir à Secretária Municipal de Saúde uma lista com todos os funcionários que estavam na UPA no momento em que a morte aconteceu. Parentes e outras testemunhas também serão chamados para prestar esclarecimento.

Prefeitura

Por sua vez, a Prefeitura de Curitiba informou, por meio de nota, que os funcionários são orientados a atender os pacientes, mesmo no caso deles passarem mal em frente a UPA. Um procedimento administrativo foi aberto. Segue a nota na íntegra:

A Secretaria Municipal da Saúde (SMS)  informou que instituiu nesta quinta-feira (25) uma comissão para conduzir o procedimento administrativo que investigará o atendimento prestado à paciente Maria da Luz das Chagas dos Santos na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24 Horas Fazendinha. A determinação da secretaria é para que o caso seja apurado com absoluto rigor. Fazem parte da comissão representantes de diferentes categorias profissionais e de serviços de saúde.

Todas as reuniões do grupo serão a portas fechadas e o primeiro encontro está marcado para as 16 horas desta quinta, quando as informações acerca do fato que levou a paciente a óbito na última terça-feira (23) passarão a ser analisadas e discutidas. Serão verificados documentos, imagens e áudios com o intuito de esclarecer o episódio e verificar se houve qualquer tipo de erro de conduta ou negligência no atendimento. Em um segundo momento, profissionais da equipe de saúde que atenderam a paciente e familiares que a acompanhavam serão chamados para serem ouvidos e prestarem esclarecimentos.

A SMS informa ainda que já entrou em contato o Conselho Regional de Medicina e com o Ministério Público para relatar o caso. Além disso, todas as informações solicitadas pela Polícia Civil a respeito do atendimento prestado à paciente serão encaminhadas ainda nesta quinta-feira.

Uma investigação será realizada pela Secretária Municipal de Saúde para apurar as responsabilidade.”

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