Por Felipe Ribeiro e Flávia Barros

Após mais de 20 horas de rebelião na Penitenciária Feminina de Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, a agente que vinha sendo mantida como refém foi libertada e o movimento controlado. A informação foi confirmada pelo diretor-geral do Departamento Penitenciário do Paraná (Depen), Luiz Alberto Cartaxo Moura, por volta das 15 horas. A declaração foi feita logo após negociação com as detentas, reunião que também envolveu a Vara de Execuções Penais e representantes dos direitos humanos. Mais informações sobre a rebelião serão divulgadas ainda nesta sexta, em coletiva de imprensa na Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp).
Durante a manhã, a agente gravou um áudio em que pedia que o Estado tomasse medidas urgentes. Para ela, se a rebelião terminasse em morte e tragédia, a culpa seria do Governo do Paraná. “A direção até agora, o Depen, não está movendo uma palha pela minha vida, então eu digo que se acontecer algo com a minha vida aqui dentro da Penitenciária Feminina do Paraná foi puramente descaso do Departamento Penitenciário do Paraná que não estão fazendo nada para me tirar daqui. Estão fazendo pouco caso da minha vida aqui dentro e eu pergunto o por que?”, desabafou. No início da manhã, entre 180 e 190 presas estavam rebeladas nas galerias B e C.
O Sindicato dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen) informou que a superlotação e as precárias condições da unidade motivaram a rebelião. De acordo com a presidente da entidade, Petruska Niclevisk Sviercoski, os procedimentos na unidade sofrem com a falta de efetivo e esse problema já vinha sendo avisado. “Há alguns meses já falamos sobre isso na Penitenciária Feminina e nenhuma solução foi tomada. Quase uma agente paga com a própria vida o erro de não se prevenir e sempre remediar. É preciso contratar servidores e se fazer políticas contra a superlotação”, disse.
Uma carta com compromissos foi entregue às presas por volta das 15 horas. Entre as promessas estão melhorias na alimentação, realização de mutirão carcerário e a garantia da presença dos direitos humanos durante a revista pós-rebelião.
O motim começou no início da noite de quinta-feira. Por causa da rebelião das detentas, as visitas de todos os presos foram suspensas, gerando revolta em familiares que aguardavam desde as 5 horas para entrar no local.