Um menino de três anos foi mantido refém pelo próprio pai, de 42, dentro de casa no bairro Santa Cândida, em Curitiba, por cerca de  vinte horas. Segundo informações da Polícia Militar (PM), ele ameaçou a criança com uma faca e um galão de gasolina, concordou em se entregar durante a madrugada deste domingo (28). O menino foi levado ao Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria), bastante assustado, e o pai foi levado para a delegacia.

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) foi acionado e negociou com o rapaz, para que ele soltasse a criança sem machucá-la. De acordo com a PM, a situação teve início depois que o homem se envolveu em uma discussão com o sogro e a esposa, por volta das 11 horas de sábado. Não há informações sobre o motivo da briga.

No momento do desentendimento, a sogra estava limpando peixe com uma faca e, em poucos minutos, o genro pegou o objeto e passou a ameaçar o filho. Os outros familiares conseguiram sair de perto, mas ele agarrou o garoto.

Segundo a família, o homem tem problemas com álcool e outras drogas. A PM isolou a rua e seguiu na negociação até de madrugada. O homem se rendeu por volta das 4 horas.

O tenente Daniel, do 20º Batalhão da Polícia Militar (BPM) disse que houve diversos momentos tensos para a equipe. “Foi realmente um trabalho extenuante, mas com todas as equipes envolvidas tivemos êxito com um final sem vítimas e feridos, da forma como queríamos. As ameaças iniciais eram com facas, passamos por vários momentos tensos, um dos últimos foi quando ele apresentou à equipe um galão de gasolina e depois disse que teria jogado nele e na criança. Ele chegou a acionar o botão do botijão de gás, tinha veneno de rato que ele teria preparado uma seringa para uso, ainda bem que nada disso foi usado”, descreveu à Banda B.

O fim do sequestro ocorreu depois de diversas horas de negociação. “A criança estava bem assustada, foi atendida prontamente para que fique bem e com menos traumas possíveis. Ela não chegou a chorar, o menino tem uma boa relação com o pai, embora o susto, ele teve percepção limitada sobre o que estava acontecendo”, completou.

O menino de 3 anos foi encaminhado ao Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente (Nucria). O pai, mesmo ainda aletrado, foi levado para a delegacia para prestar depoimento.

Negociações

O tenente Daniel, do 20º BPM também explicou que não havia previsão de quando ele iria se entregar. “Cada caso como esse é específico, é um fato único. O número de horas necessárias para se fazer um acordo depende do trabalho e da análise das equipes. Não temos como precisar quando conseguiremos terminar as negociações. É sempre muito delicado”, disse ele, durante a negociação, ainda na noite de ontem.

“Sempre tranquilo”

No local, a reportagem conversou com alguns vizinhos da família, que disseram que o rapaz envolvido na ocorrência sempre foi muito tranquilo. “Ele tem um casal de filhos, frequenta a igreja… Eu nem acreditei quando me contaram o que estava acontecendo. Fiquei muito chocado, ele é amigo da gente”, comentou um morador, que preferiu não se identificar.

Outro vizinho afirmou que o homem nunca incomodou ninguém ou causou problemas. “Ele sempre foi bem tranquilo, trabalhava em casa, sempre foi mais caseiro mesmo. Era um vizinho exemplar”, disse.