A família da idosa Terezinha de Assis Inglês, de 69 anos, que morreu atropelada no sábado (16), em Almirante Tamandaré, por um motorista que fugiu sem prestar socorro, fez um protesto nesta sexta-feira (22), contra a libertação do acusado. Nelson Gobetti, de 66 anos, assumiu em depoimento que havia bebido, mas alegou que não teve como evitar o atropelamento. Ele foi preso em flagrante horas após ter fugido do local, ao ser localizado por amigos da vítima. Passou quatro dias presos e foi solto por decisão da Justiça para responder ao processo em liberdade. Terezinha chegou a ser socorrida, mas morreu ao dar entrada no hospital.

Família a amigos da vítima protestam em Almirante Tamandaré – Foto Banda B

O protesto de hoje teve a presença de Alexsandro Alves Godoys, vizinho do motorista que causou o acidente. Ele disse à Banda B que Nelson estava bêbado e que os dois estavam juntos num bar durante toda a madrugada. “Entrei no carro com ele. Daí ele ficou acelerando demais. Falei pra parar que ia descer. Desci e ele saiu. Logo depois que atropelou esta senhora. Ele estava totalmente bêbado, não tinha nem o que ver. Eu e ele bebemos a noite inteira”, disse a testemunha.

A família da vítima disse que já levou para a delegacia a dona do bar onde Nelson estava, que também afirma que ele estava bêbado, mas ninguém ainda foi ouvido na delegacia.

“Isso é revoltante. O enterro da minha mãe custou cerca de R$ 20 mil, com a compra do túmulo no cemitério. Ao mesmo tempo, sabemos que o motorista que causou a morte dela pagou R$ 2 mil e saiu, está tocando a vida. O dinheiro não tem importância, mas o que revolta é ele estar livre e a minha mãe no cemitério”, disse Demilson Inglês, filho de Terezinha.

Terezinha morreu atropelada – Reprodução

Depoimento

Em depoimento ao delegado Ademair da Cruz Braga Jr, o motorista admitiu ter bebido. “Ele admitiu ter bebido, mas pouco, e apenas informou que não teve como evitar o atropelamento. Os sinais de embriaguez eram visíveis. Ele também estava com a Carteira de Habilitação vencida”, afirmou.

O delegado disse que Nelson foi solto por decisão da Justiça e a lei estabelece esta possibilidade. “É uma questão legislativa. Se a lei permite a liberdade, temos que fazer a alteração da lei para mantê-lo preso. Se a libertação foi dentro da lei, não há o que discutir”, afirmou.

Segundo ele, há agora 30 dias para a conclusão do inquérito e todas as testemunhas serão ouvidas para o oferecimento da denúncia.

O acidente

O atropelamento aconteceu no último sábado (16) em Almirante Tamandaré. Terezinha foi atropelada no canto da Rua Ângelo Prodócimo, onde deveria haver uma calçada. Segundo testemunhas, após o atropelamento, o carro chegou a passar por cima dela ao dar ré.

O condutor do automóvel fugiu sem prestar socorro e foi encontrado mais tarde pelos vizinhos. Ele foi preso, mas acabou liberado em audiência de custódia.

Outro lado

A Banda B tenta localizar a defesa de Nelson Gobetti. O espaço está aberto para manifestação.

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