Os alunos de um professor espancado no Centro de Curitiba, no último fim de semana, se reuniram para um protesto em apoio ao docente e para reivindicar mais segurança na capital. O ato foi na manhã desta sexta-feira (18) em frente ao Instituto de Educação do Paraná, onde ele dá aulas de Filosofia.

Alunos de professor espancado em Curitiba e em estado grave pedem segurança em ato: 'Força, Guiga!
Aguinaldo Cavalheiro de Almeida é professor do Instituto de Educação do Paraná, uma das escolas mais antigas do estado.
Foto: Reprodução.

O professor Aguinaldo Cavalheiro de Almeida está internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Cajuru. O quadro clínico é estável, porém grave. De acordo com boletim divulgado pelo hospital na manhã desta sexta-feira, não há previsão de alta.

Ainda conforme informações repassadas pelo hospital, a mãe de Aguinaldo chegou a Curitiba nesta terça-feira (15), para acompanhar o filho. Ela foi orientada a comparecer à Delegacia de Furtos e Roubos (DFR), onde o caso é investigado, para as providências legais.

A adolescente Sofia Karina, de 17 anos, é aluna do 3º ano integral do Instituto e ajudou a mobilizar os estudantes, assim como outros professores da escola, para o ato. Ela falou para a reportagem da Banda B sobre o carinho de todos pelo professor e a indignação com o caso de violência que ele sofreu.

“Ele é muito querido da gente. Querendo ou não, comove muito essa questão do professor não ter tido segurança. Se um professor não tem segurança, o que os outros cidadãos não têm? Muitas pessoas já conheceram o professor Aguinaldo e ele é um dos professores que faz muita importância no colégio”,

disse a aluna.

Em nome dos alunos e professores da instituição de ensino, Sofia explicou que o objetivo do ato foi alertar sobre a necessidade de mais segurança para a população de Curitiba nas ruas.

“Isso acontece diariamente nessa cidade, por falta de segurança. A gente preza que cada um possa viver com segurança dentro de sua cidade. Queremos chamar a atenção da sociedade, para poder repudiar esse tipo de ato, e da polícia, para imobilizar esse tipo de pessoas, que fazem atos violentos contra as outras.”

Em sinal de carinho e apoio, alunos e professores, sentados na escadaria do Instituto de Educação, ergueram cartazes com letras que formavam os dizeres: Força Guiga!, como mostra a foto abaixo.

Os alunos levantaram cartazes com letras, que formavam a frase: Força Guiga!
Foto: Djalma Malaquias/Banda B.

“Amigo do coração”

Colega de profissão de Aguinaldo, o professor Francisco Manoel de Assis França participou da manifestação e expressou toda a indignação da classe dos educadores com o fato do final de semana.

“O Aguinaldo é um amigo do coração, extremamente querido nessa escola. Foi um absurdo o que aconteceu com ele. Como um professor recebe uma agressão dessas? Ele está desacordado, em uma situação extremamente severa”,

lamentou ele.

Segundo o professor, uma nova manifestação é organizada para este sábado (19), para acontecer no Passeio Público, possível local da agressão, a partir das 14h.

De acordo com relatos recebidos por França, o professor teria sido agredido dentro ou nas proximidades do parque e, mesmo ferido, conseguido se deslocar até uma farmácia próxima, na Rua Mateus Leme, para pedir ajuda.

A agressão teria sido em um período de movimento de pessoas na região, o que faz os manifestantes acreditarem na possibilidade de haver testemunhas, que poderiam contribuir com as investigações.

“Foi entre 14h e 16h, alguém tem que ter visto”,

manifesta o professor.

Quem presenciou a agressão e tiver informações, pode informar as autoridades de forma anônima. As denúncias podem ser feitas para a DRF, pelo telefone (41) 32186100.

Tentativa de homicídio

Os alunos e professores reclamam, ainda, que o caso deveria ser tratado como tentativa de assassinato e não roubo, o que levaria a uma transferência de responsabilidade na investigação.

“Está sendo tratado como roubo, porque a bicicleta dele sumiu. A Delegacia de Furtos e Roubos investiga o caso, mas queremos que vá para a Delegacia de Homicídios. Porque foi uma agressão violenta contra ele, contra o estado e contra a educação. Estamos com ele, vamos dar toda força para o Aguinaldo.”