Alunos da Universidade Tuiuti do Paraná (UTP), em Curitiba, denunciam uma série de casos de abusos e importunação sexual dentro e fora da instituição. Entre 2025 e 2026, ao menos 17 denúncias vieram à tona, segundo relatos dos estudantes ouvidos pela Banda B. As ocorrências envolvem estudantes dos cursos de Psicologia, Enfermagem e Medicina Veterinária.

De acordo com o relato de um aluno, os primeiros registros surgiram no segundo semestre de 2025. Na ocasião, um estudante do primeiro período de Psicologia teria assediado colegas, com comentários impertinentes e comportamentos ameaçadores, como seguir alunas pelos corredores da universidade.
Outro caso, repassado à Banda B, envolve um estudante de cerca de 40 anos. Conforme uma testemunha, o homem teria seguido uma aluna de 18 anos — identificada como Ana (pseudônimo) — até a residência dela. Após as aulas, a jovem encontrou o suspeito na porta de casa. Assustada, ela decidiu trancar o curso, deixar a faculdade e sair de Curitiba.
Há ainda denúncias no curso de Psicologia contra um homem mais velho que, em sala de aula, fazia comentários de teor sexual. Segundo relatos, ele também teria tocado alunas de forma inadequada e dito a uma professora que a “beijaria na boca”. Estudantes afirmam que o caso não foi encaminhado à ouvidoria e que a instituição informou apenas que trataria a situação diretamente com o suspeito.
A reportagem também apurou um episódio mais recente, em que uma aluna foi desrespeitada por um colega dentro da universidade. Na presença de um segurança, o estudante afirmou que estava “esperando a clínica [do curso de psicologia] abrir” para ter relações com a jovem.
A vítima, identificada como Maria (pseudônimo), procurou a coordenação do curso e solicitou a transferência do suspeito de turma. Ela também registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil do Paraná (PCPR).
Alunas denunciam abusos sexuais na universidade
Em 2026, novas denúncias surgiram contra um estudante de 23 anos. Segundo um aluno do curso, o jovem tem importunado colegas com convites insistentes, inclusive para encontros em motéis. Ele também teria protagonizado um episódio de desrespeito com uma professora idosa, apontando o dedo em direção ao rosto dela. Após as denúncias, o próprio aluno decidiu mudar de turma.
Dois processos administrativos foram abertos no semestre anterior, relacionados aos casos de Ana e Maria. A denúncia foi formalizada por um representante de turma do curso de psicologia, que afirma não ter recebido retorno da universidade. No caso de Ana, a vítima teria solicitado o arquivamento. Ainda segundo relatos, ela e outros estudantes desistiram da denúncia após ameaças de processo por parte do suspeito.
No caso de Maria, até o momento, não há informações oficiais sobre o andamento do procedimento aberto em 2025.
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Denúncia ao Ministério Público
Diante da recorrência dos relatos, estudantes pretendem formalizar, ainda em abril, uma denúncia ao Ministério Público. Somente em 2026, 12 alunas do período da manhã relataram episódios de importunação sexual envolvendo o mesmo estudante de 23 anos.
Segundo a denúncia, o rapaz também teria enviado vídeos de conteúdo sexual a colegas. O Conselho Regional de Psicologia do Paraná (CRP-PR) deve ser acionado.
A Banda B conversou com uma fonte ligada a três vítimas. Segundo ela, as mães das jovens registraram boletins de ocorrência denunciando abuso e importunação sexual.
Um dos casos é investigado pelo Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), da PCPR. Ainda de acordo com a fonte, o suspeito continua frequentando a universidade e mantendo contato com alunas.
Procurada pela Banda B, a Polícia Civil informou que investiga o crime de importunação sexual. Até a publicação desta matéria, foram realizadas as oitivas de oito pessoas. “Diligências estão sendo realizadas para a elucidação dos fatos”, disse a corporação.
O que diz a Universidade Tuiuti do Paraná
Em comunicado oficial nas redes sociais, a Universidade Tuiuti afirmou que mantém ativo “seu compromisso com a construção de um ambiente acadêmico seguro, ético e respeitoso para toda a sua comunidade”. A instituição afirmou que tem “canais oficiais de escuta e acolhimento, por meio dos quais todas as manifestações são recebidas e analisadas com seriedade“.
“Reforçamos que qualquer situação que contrarie os princípios institucionais é tratada sempre com a devida atenção, dentro da legislação, das resoluções e dos protocolos estabelecidos. Seguimos atentos às manifestações da comunidade acadêmica, comprometidos em fortalecer continuamente um ambiente baseado no respeito, na escuta e na responsabilidade, seguindo sempre a nossa filosofia da Promoção Humana”
comentou a universidade
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A reportagem também entrou em contato com a assessoria da Universidade Tuiuti. Em nota, a instituição informou que se reuniu com representantes do Centro Acadêmico de Psicologia (CAPSI-UTP), visando esclarecimentos sobre os trabalhos desenvolvidos internamente.
“A universidade demonstrou que todas as denúncias são apuradas, com instauração de Processos Administrativos Disciplinares, regidos por princípios constitucionais fundamentais do devido processo legal, garantindo o contraditório, ampla defesa, presunção de inocência até decisão final, sigilo de informações para preservar a intimidade e a dignidade das partes envolvidos, por isso, não se pode dar a publicização na forma como pretendia o CAPSI, devendo se respeitar a dignidade das partes envolvidas no processo”
disse a UTP em nota.
Além disso, segundo a universidade, o número de 17 denúncias não procede. “São três denúncias oficiais, que no momento correm nos trâmites legais”.
”Todos os casos apurados e os PAD concluídos tiveram suas sanções disciplinares”
destacou a universidade.
Após reunião entre as partes, o CAPSI-UTP retirou a nota de repúdio publicada na semana passada em uma rede social. A instituição reforçou o “compromisso com o diálogo institucional, a escuta ativa e a construção de um ambiente acadêmico pautado no respeito e na responsabilidade”.
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