Quase um ano após sofrer agressões do ex-marido, uma mulher de Curitiba voltou a ser vítima de espancamentos e perseguição. De acordo com a vítima, que prefere não se identificar, os casos de violência começaram a ocorrer 20 dias após o casal reatar o relacionamento e decidir tentar morar junto mais uma vez. Neste um ano, após a primeira denúncia, testemunhas favoráveis à vítima foram processadas e pelo menos três defensores deixaram o caso por medo do agressor, que é advogado.

Suspeito agressão
Reprodução

“A medida protetiva que eu tinha em 2023, foi quebrada seis vezes. Ele tentou invadir o condomínio, perseguiu testemunhas, perseguiu meus familiares”, descreve a vítima, que foi procurada pela Banda B.

Boletim de ocorrência registrado no mês de março, e obtido pela Banda B na última semana, cita que o filho do casal chegou a ser pendurado pelos pés, de ponta-cabeça, para uma escada. Já a mulher agredida descreve que foi estrangulada e só não perdeu a consciência graças a intervenção do filho.

Áudio realizado por gravação pela vítima, para evidenciar as violências, mostra que a criança chega a fazer um apelo para que o pai “peça desculpas para a mãe” por bater a cabeça da vítima contra o chão.

Retomada do relacionamento

As novas agressões teriam começado em janeiro deste ano, após a tentativa de reatar o relacionamento. Segundo a vítima, a decisão foi tomada após algumas audiências na Vara da Família. A partir de uma proposta de acordo “pelo bem do filho” e boas condutas apresentadas pelo agressor, ela aceitou voltar com ele.

“Depois das últimas audiências na Vara da Família, que aconteceram em setembro, nosso filho ficou muito doente e eu estava no hospital. Pela primeira vez, depois de março, eu venho a ter um contato direto com o genitor e ele propõe um acordo. Afirma que intenção dele seria a de procurar tratamento psicológico, que frequentaria então a igreja, que buscaria ajuda. Ele afirma, ainda, que não queria litígios contra as pessoas, que tiraria os processos e, em contrapartida, só queria a convivência e flexibilização das visitas”, explica.

Acreditando no ex-companheiro, a vítima então aceita o acordo inicial e retorna para a casa dele.

“Como estava pensando na proteção do nosso filho, voltei para dentro do sobrado e a residir no mesmo local que ele. Mas, fazendo a mudança, não deu nem 20 dias. É, então, que ele começa a expor as situações que já aconteciam antes de 2023”, lamenta.

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Suspeito chegou a ficar na recepção de escritório que representava vítima

No dia 3 de janeiro, teria ocorrido a primeira agressão desde a volta da convivência. Conforme o relato, o ex-marido teria enforcado a vítima na frente do filho do casal, após ela negar ir à Justiça para retirar as denúncias feitas no ano passado.

Depois disso, de janeiro e março, teriam acontecido mais seis casos de violência física e xingamentos. O último caso aconteceu em março deste ano. É o citado no boletim de ocorrência, que ocorre após o agressor pedir para a vítima para que ela fosse à Delegacia da Mulher falar que os casos de agressão gravados não teriam acontecido.

Como não poderia fazer nada, em razão de o caso já estar no Ministério Público do Paraná (MPPR), a vítima sofre agressões das 18h às 23h. Mas, desta vez, ela grava e evidencia a violência.

“No dia 9 de março, ele chega a me enforcar, eu quase venho a óbito mesmo, eu chego a sentir dor de faltar o ar, de ter os últimos pensamentos, e é quando eu olho, enquanto ele está me esganando no chão do sobrado, para a escada, vejo meu filho no degrau e meu filho está gritando. Depois no áudio eu escuto o que meu filho fala. Ele fala para parar”, relata.

Alerta

Advogado da vítima, Dr. Marcelo Cositorto, explica que, no momento, a guarda do filho do casal voltou a ficar apenas com a mãe. Segundo ele, a guarda compartilhada colocaria a criança em risco.

“Uma pessoa que agride a mulher na frente do filho, agride o filho na frente da mulher, como é que ele pode ter uma relação com o filho de amor?”, questiona o advogado.

Ele ainda faz um alerta para outros casos de violência doméstica.

“Essa história de falar que briga de marido e mulher, a pessoa não põe a colher é mentira, porque a omissão é uma coisa muito perigosa, porque não acontece na vida da terceira pessoa, mas pode acontecer na vida do parente dela.”, finaliza Dr. Marcelo Cositorto.

Defesa

Diante das acusações, a Banda B procurou o advogado envolvido nas agressões. Segundo a defesa, os fatos estão sendo apurados em sigilo e o acusado não se manifestará enquanto o processo estiver em curso.

“Em relação as supostas perseguições de testemunhas, restará demonstrado de que tal fato jamais ocorreu. Por fim, o advogado diz que confia na justiça e que tudo será devidamente esclarecido”, afirmou.

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Advogado quebra medida protetiva seis vezes e volta a agredir ex-mulher em Curitiba: “Peça desculpas para a minha mãe”

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