Dalledone concedeu entrevista coletiva nesta quarta-feira (Foto: Flávia Barros – Banda B)

 

O advogado da família Brittes, Cláudio Dalledone, atacou o Ministério Público do Paraná (MPPR) na tarde desta quarta-feira (28) e contestou a denúncia criminal apresentada. De acordo com ele, a denúncia da 1ª Promotoria de Justiça de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, é a “melhor peça de defesa” no processo de Edison Brittes Júnior.

“Eu tinha convicções profissionais e agora tenho convicções pessoais de ler a denúncia. No momento em que o promotor [João Milton Salles] assume que foi um ato de justiçamento, é obrigado reconhecer que do outro lado há um ato injusto. Nem ele tem convicção do que está tentando propor e fazendo crer em juízo”, disse Dalledone.

Daniel foi morto aos 24 anos (Foto: Vitor Silva / SSPress/Divulgação Botafogo)

Para o advogado, falta convicção na sustentação do promotor e ele parece estar traduzindo uma peça que não escreveu. “Outro ponto que não vai prosperar em juízo é o fato de que todas testemunhas que não disseram o que o promotor precisava, para vingar a aventura jurídica dele, foram processadas criminalmente. Uma denúncia criminal nada mais é que uma proposta de condenação e não é porque o promotor denunciou, que elas são culpadas. A descrição me faz dizer, sem medo de errar, que a Promotoria está falando a mesma coisa que a defesa”, defendeu o advogado da família Brittes.

A denúncia do MP foi apresentada na tarde desta terça-feira (27). Sete pessoas foram indiciadas por envolvimento na morte de Daniel.

Cristiana Brittes

Sobre Cristiana Brittes, que foi denunciada por homicídio qualificado, Dalledone disse que a defesa recebeu de forma “estarrecedora” o apontamento do MPPR. “Isso não tem cabimento jurídico, sob qualquer ângulo. Ela estava dormindo, embriagada e vulnerável. Recebemos na denúncia que a Cristiana poderia ter incentivado o Daniel ao que o promotor chama de brincadeira, mas na nossa legislação isso é um crime contra a dignidade sexual. Nenhuma mulher pode ser punida pelo modo de se vestir ou se portar e o MP está tentando punir uma vítima”, afirmou.

O caso

Daniel foi encontrado morto na manhã de 27 de outubro, na zona rural de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Ex meia de Coritiba e São Paulo, ele atualmente atuava no São Bento, time da série B do Campeonato Brasileiro. De acordo com a polícia, ele estava em uma festa na casa da família Brittes e morreu após enviar fotos de Cristiana para um grupo de amigos no WhatsApp.

Investigações apontam que pelo menos quatro pessoas teriam participado das agressões contra o jogador. Já bastante machucado, ele foi colocado no porta-malas de um veículo Veloster e levado até a Colônia Mergulhão. Neste local, pelo menos duas pessoas teriam carregado o corpo do jovem até uma plantação de pinus, segundo conclusão de perícia do Instituto de Criminalística do Paraná.

Sete pessoas foram denunciadas pelo crime: Edison Brittes Junior, Eduardo Henrique da Silva, Ygor King e David Willian Vollero Silva – homicídio triplamente qualificado, com motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima, ocultação de cadáver e fraude processual; Cristiana Brittes – por homicídio qualificado; Allana Brittes – fraude processual e coação de testemunhas; e Evellyn Perusso – fraude processual e falso testemunho.