(Foto: Antônio Nascimento – Banda B)

 

Cinco policiais militares enfrentam julgamento no Tribunal do Júri, em Curitiba, nesta quinta-feira (19). Eles são acusados de matar três rapazes no bairro Umbará, no dia 19 de outubro de 2013. As vítimas – Pedro Paulo Fernandes, de 25 anos, Eduardo dos Santos, 16, e Gilberto Leite da Silva Júnior, 17 – eram suspeitas de assaltar uma residência na Rua Valdomira Zortea.

Segundo a denúncia do Ministério Público do Paraná (MPPR), após a abordagem dos policiais, as vítimas foram levadas até uma área de matagal e executadas. Ao todo, 16 tiros foram disparados. A defesa dos acusados, no entanto, alega que os três jovens estavam armados e trocaram tiros com a equipe.

Os policiais José Eleutério da Rocha, Clério Carneiro, Silvestre de Oliveira Lopes, Élinson Chitiko e Vagner de Oliveira Moro respondem o processo em liberdade por triplo homicídio qualificado e por fraude processual – já que também são acusados de adulterar a cena do crime, para simular um confronto.

Quase cinco anos após o caso, as famílias das vítimas comemoraram a chegada do julgamento. “Eu espero por justiça, que eles sejam condenados. Os rapazes foram acusados de algo sem terem feito nada. Quando a polícia foi prendê-los, por que não levaram os três para a delegacia? Por que foram para o meio do mato e atiraram? Agora pense comigo, que sou mãe, o que esses meninos passaram na mão desses covardes?”, questionou Maria de Fátima Pereira Fernandes, mãe de Pedro Paulo, em entrevista à Banda B.

A irmã do jovem, Isabeli Pereira Fernandes, também defendeu que o irmão e os outros dois rapazes não eram assaltantes. “Eu tinha de 12 para 13 anos na época, ele era o meu irmão mais velho. Imagine a gente perder alguém tão próximo. Só de saber que os policiais estão soltos até agora, que não foi feito nada, é complicado. Nem meu irmão nem os outros eram bandidos, de jeito nenhum”.

Defesa

O advogado dos réus, Eduardo Milléo, falou não ter dúvidas de que os cinco policiais agiram em legítima defesa. “Nós ouvimos as testemunhas e elas demonstraram que esses três marginais realmente cometeram o assalto e, mais tarde, confrontaram os policiais. Eles agiram bem, só revidaram. O processo é em uma só direção, eles agiram bem e esperamos que o conselho de sentença diga isso também”, comentou.

A versão da acusação é de que três ladrões assaltaram a casa no Umbará, de onde levaram diversos bens e o carro das vítimas. Na fuga, eles teriam batido o veículo na Rua José Chimanski e o abandonado no local. Os policiais foram acionados e fizeram buscas na região, momento em que encontraram os três rapazes. De acordo com eles, o trio foi responsável pelo roubo e confrontou a equipe.