José Luiz Rissardo, acusado de matar a esposa a facadas e atacar os filhos, no dia 21 de outubro, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC), afirmou que temia morrer dentro da prisão e pediu para ser transferido para o Complexo Médico Penal (CMP). O pedido, feito durante uma audiência, foi atendido e José Luiz agora está sob custódia no Complexo Médico Penal (CMP), em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba.
Durante a sessão realizada no último dia 6, José Luiz mostrou ferimentos na cabeça. Segundo ele, as marcas surgiram logo após assassinar a ex-mulher e vêm piorando porque os pontos estariam abrindo. Ele também afirmou que os machucados foram causados pelos próprios filhos, que tentaram defender a mãe quando foram atacados.

“Aqui é um lugar que, às vezes, eu corro um sério risco de vida. Sobre o crime que eu cometi, é meio… até me comunicaram pra eu não falar nada e ficar em silêncio aqui dentro da prisão”, afirmou José Luiz ao juiz, em depoimento obtido pela Ric RECORD.
O réu também alegou sofrer de problemas psicológicos e disse que estava sem tomar os medicamentos de uso controlado. Relatório obtido pela Banda B nesta terça-feira (18) aponta que o Hospital Universitário Evangélico Mackenzie (HUEM) prestou esclarecimentos à Justiça sobre as condições psiquiátricas de José Luiz.
“Do ponto de vista da psiquiatria, o paciente apresenta ideação suicida grave e relata intenções claras de dar cabo à sua vida na primeira oportunidade. O paciente tentou suicídio no último domingo (19/10/25), cujo atendimento aconteceu em outro serviço de saúde. Durante o atendimento no HUEM, paciente expressou a decisão de não mais se alimentar e ingerir líquidos, com o intuito de morrer”, diz trecho do documento.
Apesar disso, a chefia do setor de psiquiatria da unidade informou, no dia 23, que o diagnóstico de José ainda estava em investigação. A principal hipótese apontada era um possível transtorno de humor, sem sinais de psicose, como alucinações ou delírios.
O Ministério Público denunciou José Luiz Rissardo por feminicídio consumado, tentativa de feminicídio, tentativa de homicídio qualificado e ameaça, após concluir que ele matou a ex-esposa a facadas e tentou assassinar os próprios filhos durante o ataque registrado dentro da panificadora da família, na Cidade Industrial de Curitiba (CIC).

A Justiça aceitou a denúncia e tornou Rissardo réu ao considerar que havia indícios suficientes de autoria e materialidade dos crimes, com base em relatos das vítimas sobreviventes, registros de ameaças anteriores, descrição da dinâmica do ataque e elementos apontados pelo Ministério Público, como a premeditação, o motivo torpe e o fato de o crime ter sido cometido na presença dos filhos. A partir desse entendimento, o processo seguiu para a fase de instrução.
“A defesa vê com serenidade e tranquilidade o início da persecução propriamente, que é um momento processual oportuno para firmar sua tese e ouvir testemunhas. O José vai responder pelos crimes que estão sendo imputados”, disse à Ric RECORD o advogado Márcio Lourenço, que defende o acusado.
‘Ele dizia que queria ficar famoso por matar muita gente’
Os filhos de Claudia Valéria de Souza Rissardo, de 45 anos, assassinada a facadas por José Luiz Rissardo, de 59, relataram que o pai fazia ameaças constantes, obrigava a mãe a manter relações sexuais mesmo contra a vontade e planejou o ataque dias antes do crime. O feminicídio aconteceu dentro da panificadora da família, onde também ficava a casa em que eles viviam.
O filho, de 19 anos, contou que José Luiz era obcecado por controle e chegou a gastar mais de R$ 1 mil em um único mês com sites de relacionamento, enquanto as contas da casa e da empresa estavam atrasadas. “Ele contava pra essas mulheres que era divorciado há três anos. Ele era viciado em sexo. As paredes da nossa casa são bem finas e eu já escutei ela pedindo pra ele parar, mas ele não parava”, disse o jovem.

O rapaz também revelou que o pai era homofóbico e o ameaçava de morte. “Ele já me ameaçou mais de uma vez de morte por conta de questões pessoais. Ele é muito homofóbico e já me ameaçou dizendo que iria me matar se eu arrumasse um namorado”, relatou.
Segundo o filho, José Luiz chegou a afirmar que queria ser conhecido mundialmente por cometer uma chacina. “Ele sempre disse que queria ficar famoso no mundo inteiro por ter feito uma chacina e matado muitas pessoas”, contou.
A filha de 22 anos, que também ficou ferida durante o ataque e precisou passar por cirurgia, confirmou que a mãe vivia sob medo constante. “Ela descobriu que ele tinha baixado um monte de aplicativo e estava gastando dinheiro com isso. A gente vivia com as contas atrasadas. Muitas vezes, ela tinha que fazer coisas que não queria durante a noite”, afirmou.
Um áudio enviado por José Luiz a uma das filhas, um dia antes do crime, mostra que ele planejava a invasão: “Não adianta portão fechado, não. Você acha que o pai não consegue subir esse telhado e arrombar essas portas aí? Aí a vida de todo mundo vai virar um inferno.”
No dia seguinte, ele cumpriu a ameaça. O homem parou o carro em uma rua próxima, subiu muros e telhados das casas vizinhas e entrou pelos fundos da panificadora armado com três facas. “Quando ele entrou, disse: ‘Você fez medida protetiva pra mim? Quero ver você se proteger disso agora!’”, lembrou a filha.
Medida protetiva
Claudia havia solicitado uma medida protetiva de urgência no dia 18 de outubro, três dias antes de ser morta. O pedido foi concedido pela Justiça, mas o agressor ainda não havia sido localizado para ser notificado.

Durante o ataque, José Luiz empurrou um carrinho de pães contra a filha e esfaqueou Claudia pelas costas. A jovem ainda tentou intervir e foi atingida no tórax. “Ele olhou bem no meu olho e falou: ‘Você que foi malcriada comigo, agora vai ser a sua vez’”, contou.
Um vídeo registrado por câmera de segurança e obtido pela Ric RECORD mostra o filho de Claudia gritando por ajuda em frente à panificadora. Em seguida, ele pega um cavalete de anúncios para impedir o ataque do pai.
O irmão de Claudia, Marcos José de Souza, afirmou que o crime foi premeditado. “Ele afiou as facas antes de entrar. Ele veio pelos fundos, subiu o telhado e foi direto nela”, disse.
“Quando ele foi sair na maca, ele olhou no meu olho e falou que eu tinha escapado, mas que ele ia sair da cadeia e ia me levar junto”, revelou um dos filhos.