(Foto: Reprodução)

 

Em depoimento, a policial civil Kátia das Graças Belo, acusada de matar a copeira Rosaira Miranda da Silva, de 44 anos, afirmou que o disparo aconteceu “por conta de uma situação de estresse pela qual passava e que desconhecia”. Entre os fatores que mencionou como atenuantes para o nível de exaustão em que ela se encontrava estavam a doença do pai e uma Tensão Pré-Menstrual (TPM) muito agressiva. A investigadora foi interrogada em abril deste ano, mas a Banda B teve acesso aos vídeos por meio de uma fonte nesta terça-feira (19).

Kátia é suspeita de atirar contra a copeira no dia 23 de dezembro do ano passado durante uma confraternização no Centro Cívico, em Curitiba. Ela teria se irritado com o barulho da festa e, da janela de casa, disparado contra quem estava no local. Rosaira, que foi atingida na cabeça, chegou a ser socorrida e ficou internada no hospital até o dia 1º de janeiro, quando morreu.

Rosaira morreu no dia 1º de janeiro deste ano, após ficar internada. (Foto: Reprodução/Facebook)

A policial civil prestou depoimento, mas não foi presa. Durante a audiência, ela admitiu que atirou uma vez no dia do crime. “Eu sempre me acostumei a assumir o que faço e, com relação a esse único disparo, foi por conta de estar dominada por uma situação de estresse que eu mesma desconhecia… Foram oito anos de dedicação dentro da polícia, atividade na qual me realizo por completo. Aquele foi um momento de ímpeto, mas sem qualquer intenção de machucar ou agredir alguém”, disse ela.

A investigadora acredita que o nível de estresse começou a avançar ainda no começo de 2016, quando descobriu que o pai estava com câncer. “Desde então, eu vinha tentando conciliar trabalho com os meses de vida que restavam para ele… Conciliar também a convivência com os meus dois sobrinhos mais velhos, que ficavam lá em casa por conta da escola e porque a minha irmã tem três filhos, mas não dá conta de cuidar de todos”, comentou.

Trabalho e TPM

Sobre o trabalho no Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente Vítimas de Crimes (Nucria), Kátia disse que sempre gostou do que faz, mas que começou a se sentir afetada pelas situações com as quais lidava na delegacia. “Um psicólogo colega meu disse que uma hora isso poderia me atingir. Eu me considero extremamente sensível e humana, das causas humanas e animais… Eu atuava muito com vítimas de pedofilia, nós éramos mais assistentes sociais do que policiais. Não percebi quão sensibilizada estava com esses casos”.

Além do estresse no trabalho, a investigadora falou que também precisava enfrentar uma TPM agressiva. “Minha colega que trabalhava comigo na rua disse que nos momentos de TPM eu ficava mais nervosa e irritada, ou deprimida… E eu acredito que tudo isso tenha influenciado a minha atitude naquele dia”.

Questionada se ela teria ido ao médico em decorrência desses problemas, ela respondeu que não. “Não houve nenhum tratamento… Uma colega até havia comentado que eu deveria ir ao ginecologista para ver essa questão da TPM… Aí caiu a ficha de que eu estava estressada além da conta”, declarou.

Briga com vizinhos

Ainda durante audiência, Kátia admitiu que já havia discutido com vizinhos por conta do barulho alto nas imediações, mas afirmou que nunca tinha usado uma arma nesses casos.

“Eu cheguei a conversar com as pessoas muitas vezes, intervir e tentar dialogar… O disparo foi um ato extremo (…). Houve discussão acalorada entre nós, vizinhos, já que eu via que o meu pai não estava bem, não se alimentava e nem dormia direito. Isso antes de descobrirmos que ele estava doente. Sempre achamos interessante tentar dialogar, mas não houve retorno nesse sentido”.

Após o crime, a investigadora foi afastada das ruas, mas continua a exercer atividades administrativas. Em julho deste ano, a Justiça decidiu pelo júri popular, mas ainda não há uma data para o julgamento de Kátia.

Assista ao depoimento abaixo:

 

Notícia relacionada