O promotor do Ministério Público do Paraná, João Milton Salles, e o advogado assistente de acusação, Nilton Ribeiro, usaram o tempo destinado para réplica, nesta quarta-feira (20), para convencer os jurados de que os sete acusados pela homicídio do jogador Daniel Corrêa Freitas condenaram o atleta “a uma morte violenta” e não deram o direito de ele se defender.

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Foto: Vitor Silva / SSPress/Divulgação Botafogo

O júri entrou no terceiro dia e está na reta final. O resultado do julgamento deve acontecer ainda hoje.

Respondendo ao questionamento da defesa de que o Ministério Público não teria provas, o promotor Milton Salles trouxe os elementos do processo em que as provas são evidenciadas. Ele garantiu que são muitas provas e que o trabalho da polícia foi bem feito.

Salles mostrou aos jurados um laudo pericial que aponta que Daniel foi morto por “outras pessoas”, que teriam imobilizado a vítima. O promotor resgatou um depoimento de Eduardo Henrique Ribeiro da Silva, na delegacia, que contou que Edison precisava de ajuda para cortar o pênis do jogador: “Talarico tem que ser capado”.

Fotos do corpo

Nilton Ribeiro iniciou a fala pontuando que essa é a última vez que Daniel seria “ouvido”. O assistente de acusação afirmou que Daniel foi “julgado” por sete jurados (os réus), e comentou sobre a coincidência agora de serem sete jurados que vão definir o futuro dos acusados.

“Os sete jurados de Daniel condenaram Daniel a uma morte violenta […] Sete jurados que não deram a Daniel o direito de se defender”, ressaltou.

Nilton mostrou fotos do local onde o corpo de Daniel foi encontrado. A mãe do jogador, que estava no plenário, abaixou a cabeça neste momento. Enquanto passava um vídeo com fotos do atleta vivo e, ao lado, fotos do corpo, o assistente de acusação finalizou pedindo a condenação e dizendo aos jurados que eles iriam definir o futuro e não mais os réus.

Julgamento

O júri dos sete réus envolvidos na morte do jogador Daniel Corrêa Freitas entrou no terceiro dia nesta quarta-feira (20). A sessão começou, pouco depois das 9h da manhã, com a fase final dos debates com réplica da acusação e depois a tréplica da defesa, cada uma com o período de 1 hora para fala.

Finalizados os debates, será feita a votação secreta pelos sete jurados. Conforme a decisão dos jurados, o juiz redige a sentença e elabora a dosimetria, que é a duração da pena.

Réus

Dentre os sete acusados, dois estão presos. Edison Brittes Junior é réu confesso e responde por homicídio, qualificado pelo motivo torpe, pelo emprego de tortura ou cruel, e pelo recurso que impossibilitou a defesa da vítima, ocultação de cadáver e fraude processual. Eduardo Henrique da Silva responde pelos mesmos crimes. Ele chegou a ganhar o direito de responder ao processo em liberdade em 2019, mas voltou para a prisão em 2020 após participação em outro crime, um roubo ocorrido em Foz do Iguaçu.

Outros três réus respondem por homicídio qualificado, mas estão em liberdade: Ygor King, David Willian Vollero Silva e Cristiana Brittes. A última chegou a ter a acusação de homicídio negada em primeiro grau, decisão que foi revertida pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR).

Allana Brittes, jovem que completava aniversário e realizou a festa onde Daniel foi morto, responde por fraude processual e coação no curso do processo. Já Evellyn Brisola Perusso foi denunciada por fraude processual. Ela também chegou a ser presa novamente durante o processo, por tráfico de drogas.

O crime

Com passagens pelo São Paulo e Coritiba, Daniel Corrêa Freitas veio a Curitiba para participar da festa de aniversário de 18 anos da amiga Allana Brittes, filha de Edison Brittes Junior, em uma casa noturna de Curitiba, em 26 de outubro de 2018. Após a balada, o jogador aceitou o convite para esticar a comemoração na casa da Família Brittes, junto de outras dez pessoas, em São José dos Pinhais.

Segundo a Polícia Civil, o conflito com Edison teria sido motivado por fotos e áudios enviados por Daniel em um grupo de amigos no WhatsApp. Nas mensagens, o jogador se vangloriava por estar na cama deitado ao lado de Cristiana Brittes, esposa do dono da casa.

Conforme as investigados, após saber das mensagens, o empresário deu início ao espancamento de Daniel e teve a ajuda de outros convidados da festa. O jogador só sairia da casa dentro do porta-malas de um carro. Foram 11 quilômetros de distância até a plantação de pinus, na Colônia Mergulhão, região rural de SJP, onde o corpo foi encontrado por um morador na manhã de 27 de outubro de 2018.

Conforme os laudos da Polícia Científica, Daniel foi parcialmente decapitado e teve o pênis decepado.

A investigação afirma ainda que, dois dias depois do crime, Edison se encontrou com os outros seis envolvidos em um shopping para combinar a versão que seria dada à polícia. A história não convenceu e o empresário acabou confessando o assassinato e sendo preso na mesma semana.

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Acusação exibe fotos do corpo de Daniel para convencer jurados da crueldade do crime: “Não deram o direito de se defender”

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