Levantamento feito pela Polícia Civil aponta que 76% das queixas de vítimas de violência contra a mulher são mães, mas apenas 11% delas atribuem aos filhos o motivo para continuar com o agressor. Segundo os dados divulgados nesta sexta-feira (24) pela Delegacia da Mulher, as que responderam ter relação afetiva com o agressor somam 60% e 61% delas não dependem financeiramente do parceiro.

A maioria das ocorrências registradas, 47,16%, são de agressão física e 37,65% de agressões psicológicas e morais. “Sabemos que há subnotificação, ou por desconhecimento de direitos ou por medo da mulher em denunciar a violência. A campanha questiona essa cultura que silencia, desvaloriza a mulher e atinge todas as camadas sociais da sociedade, independente da condição financeira”, diz Ana Cláudia Machado, coordenadora estadual da Política da Mulher, na Secretaria da Família.

Campanha

Ter a opinião desrespeitada, a privacidade no celular invadida ou ser seguida e vigiada também são formas de violência contra a mulher. Para dar visibilidade a essas agressões nem sempre percebidas, a Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social lança neste sábado (25) a campanha “Você pode mais!”. Em 1999, a Organização das Nações Unidas instituiu 25 de novembro como o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.

A secretária estadual da Família, Fernanda Richa, lembra que muitas mulheres só buscam auxílio quando a situação já evoluiu para agressão física, mas a violência começa antes e nas pequenas e sutis atitudes. “Elevar a autoestima da mulher é fundamental para que ela identifique os abusos socialmente invisíveis e consiga mudar sua vida, sem medo, antes de ter sua integridade comprometida”, disse a secretária.

A campanha aborda direitos, autoestima e liberdade das mulheres, mostrando que pequenos gestos ou palavras podem se caracterizar como violência. “As depreciações e humilhações cotidianas, seja por a mulher emitir uma opinião ou mesmo pelas roupas que usa, minam a autoestima feminina. Essa situação já é de violência e pode evoluir para agressões mais sérias”, explicou Ana Cláudia Machado, coordenadora estadual da Política da Mulher, na Secretaria da Família.

Assista:

Estratégia

No filme da campanha, mulheres de vários perfis criam empatia ao explicar que as violências sutis não são normais. Estimula as mulheres a não aceitarem essas situações, sem vitimização, mas com atitude e confiança. Dessa forma, busca-se sensibilizar não só quem sofre violência, mas também a família e a sociedade, incluindo os agressores. “Com a disseminação de informação, formamos uma rede de observação contra a violência, aumentando a proteção à mulher”, diz Ana Cláudia.

Os filmes serão divulgados pela televisão por redes sociais para ampliar o alcance da campanha e unir as mulheres na cultura contra a violência. “A internet atravessa fronteiras e as peças produzidas podem ser enviadas por qualquer dispositivo móvel”, explicou Ana Cláudia.

Denúncias

Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 181. As informações são encaminhadas aos órgãos de proteção para tirar a mulher da situação de violência. Em casos extremos, deve-se ligar para o 190 e chamar a Polícia Militar, que irá intervir pontualmente na ocorrência.