Wegovy, a primeira injeção semanal para tratamento de obesidade aprovada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), chegará às farmácias do país em agosto deste ano. A fabricante Novo Nordisk confirmou o lançamento do produto na manhã desta quarta-feira (26).

O medicamento custará até R$ 2.484 em estados em que o ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) é de 21%, como o Piauí. Em São Paulo, a droga deve chegar a R$ 2.383, uma vez que a alíquota do estado é de 18%. Segundo a farmacêutica, porém, programas de fidelidade reduzirão o preço.

A previsão anterior indicava que o medicamento, aprovado em janeiro de 2023, estaria disponível no segundo semestre do ano passado, mas a farmacêutica temia que acontecesse no Brasil o mesmo problema de desabastecimento enfrentado nos Estados Unidos, que provocou a interrupção do tratamento de pacientes.

Wegovy
Foto: Michael Siluk/UCG/Universal Images Group/Getty Images

O tratamento precisa ser contínuo, diz a vice-presidente da área médica da Novo Nordisk, Priscilla Mattar. “A gente trata doenças crônicas, para as quais ainda não há cura, como diabetes, hipertensão ou colesterol elevado. Esses tratamentos são prolongados e a obesidade entra na mesma classificação.”

No Brasil, a descoberta de que o Ozempic -remédio para tratamento da diabetes tipo 2- provocava emagrecimento fez com que os medicamentos ficassem em falta nas farmácias.

Segundo Mattar, agora a farmacêutica está mais preparada para o abastecimento. Ela acredita também que havendo o Wegovy como mais uma opção de tratamento da obesidade, a procura pelo Ozempic pode diminuir.

Os dois medicamentos injetáveis são à base da semaglutida, com a diferença de que o Ozempic é aprovado no Brasil apenas para tratamento da diabetes tipo 2 e usado off label (fora da indicação da bula) para emagrecimento, e o Wegovy é aprovado especificamente para tratamento da obesidade.

A diferença está na dosagem, diz Mattar. “O efeito na redução do peso depende da dose. Então, quanto maior a dose, maior é a redução de peso”, diz. As injeções do Ozempic são de 0,25 mg a 1 mg, já a dose mais eficaz do Wegovy, conforme os estudos da Novo Nordisk é de 2,4 mg.

“A gente está entrando numa nova época de tratamento da obesidade. Passamos por muitos anos de medicamentos que falharam, medicamentos que traziam muitos efeitos colaterais, inclusive comportamentais, como aqueles à base de anfetaminas, medicamentos que aumentavam o risco de doenças atípicas. Agora, com essa classe, especificamente com a molécula semaglutida, a gente tem uma uma nova realidade”, diz Mattar.

O novo momento é de remédios que simulam efeitos de hormônios intestinais que atuam na sensação de saciedade e no metabolismo do corpo humano. O Wegovy e o Ozempic imitam o glucagon 1, ou GLP-1. Mas há também o Mounjaro/Zepbound, nome comercial da tirzepatida, que simula a ação do GLP-1 e do peptídeo insulinotrópico dependente de glicose.

Segundo Mattar, o ganho é não só de eficácia, como também de segurança. Pesquisas clínicas da Novo Nordisk comprovaram que o Wegovy apresenta redução média de 17% do peso, sendo que um terço dos pacientes apresentam redução superior a 20%, além de diminuição de 20% no risco de eventos cardiovasculares adversos maiores (que consiste em morte cardiovascular, infarto do miocárdio ou acidente vascular cerebral não fatal), independentemente do grau de perda de peso alcançada.

Outras pesquisas mostraram que a redução e manutenção do peso pelo uso do medicamento dura até quatro anos.

O Mounjaro foi aprovado pela Anvisa em setembro do ano passado, para tratamento de diabetes tipo 2, mas é usado off-label para emagrecimento. Um estudo publicado no The New England Journal of Medicine comparando essas drogas descobriu que o uso de tirzepatida leva a reduções maiores nos níveis de açúcar no sangue e a uma perda de peso maior que os outros produtos. Para a dosagem de 15 mg, a redução registrada foi, em média, de 22% do peso corporal.

O uso dos remédios para emagrecimento desmedido, porém, preocupa os médicos da Novo Nordisk, diz Mattar. “Não só como uma indústria de inovação que traz um medicamento novo, a gente também tem uma responsabilidade de educação da comunidade médica através de diferentes canais”, afirma.

Ela reforça que o Wegovy é recomendado apenas para o tratamento de adultos e crianças com 12 anos ou mais com obesidade (IMC maior ou igual a 30), ou adultos com sobrepeso e comorbidades relacionadas ao peso.

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Wegovy, medicamento injetável para obesidade, chegará ao Brasil em agosto

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